Trabalhadores da ELISAL voltam a queixar-se de atrasos e cortes salariais

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Funcionários da empresa pública ELISAL – responsável pela limpeza e recolha dos resíduos sólidos de alguns municípios da província de Luanda -, que desde 2019 reivindicam melhores condições de trabalho, voltaram a denunciar cortes e atrasos salariais nos primeiros meses deste ano.

Ouvidos pelo Novo Jornal, os trabalhadores, que falaram sob o anonimato, dizem-se agastados com a situação e queixam-se igualmente da falta de condições de trabalho, como máscaras e outros meios de biossegurança recomendados para fazer face à pandemia do novo coronavírus.

Segundo os trabalhadores, desde o mês de Janeiro que os salários já não são pagos na totalidade.

“Desde a última greve, sem qualquer aviso por parte da entidade empregadora, sofremos cortes nos nossos dinheiros. Temos colegas que auferem 85 mil kwanzas, mas que nos dois primeiros meses do ano só receberam 50 mil kwanzas. Outros há que recebiam 46 mil, agora estão a receber 15 a 20 mil kwanzas. Isso nos leva a perceber que a empresa está a nos pagar conforme entende”, explicaram os denunciantes.

Disseram também que o salário do mês de Março ainda não foi pago.

“Como é que vamos ficar em casa com essa situação. Não temos nada para comer, estamos a sofrer muito”, lamenta um dos trabalhadores.

Trabalhadores pedem intervenção da IGAE

Os constantes cortes e atrasos nos ordenados daqueles trabalhadores já são do conhecimento da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE). Segundo explicaram, em Fevereiro deste ano fizeram chegar uma carta à IGAE, em que denunciam várias irregularidades, mas ainda não obtiveram resposta.

“Estamos a trabalhar em péssimas condições. Nessa fase da Covid-19, falta-nos comida nas nossas casas, e no serviço não temos máscaras, nem luvas, nem álcool em gel. Estamos numa condição de vulnerabilidade e expostos a muitas doenças”, desabafa um funcionário ligado à comissão sindical daquela empresa.

“Se um dos pontos do decreto presidencial sobre as medidas do estado de emergência sublinha que a entidade empregadora deve pagar os seus funcionários, porque é que na ELISAL isso não acontece?”, questiona o sindicalista, prosseguindo, que, “mesmo com o novo conselho de administração eleito em Fevereiro, não há mudanças”.

Fonte: Novo Jornal/BA

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