Senado absolve Trump do caso de “impeachment”

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O Senado dos Estados Unidos absolveu, quarta-feira, o Presidente norte-americano, o republicano Donald Trump, das acusações de abuso de poder e obstrução ao Congresso que sustentavam o processo de destituição do Chefe de Estado.
Os 100 elementos do Senado votaram separadamente os dois artigos que suportavam o ‘impeachment’ do Presidente norte-americano. Em relação ao primeiro artigo, que acusava Trump de abuso de poder, 52 senadores votaram “inocente” e 48 votaram “culpado”, absolvendo o Presidente norte-americano neste artigo.
Apenas o senador republicano pelo Estado do Utah Mitt Romney votou a favor da destituição de Donald Trump neste artigo.
Os 53 senadores republicanos votaram “inocente” em relação ao segundo artigo, referente à obstrução ao Congresso dos Estados Unidos, enquanto a totalidade dos senadores democratas (47) votaram “culpado”.
O Senado norte-americano votou o veredicto do julgamento político de Donald Trump. Era previsível que a maioria republicana aprovasse a absolvição.
O Presidente dos EUA ficou a conhecer o desfecho do processo de ‘impeachment’, levantado em Dezembro passado pela oposição democrata, horas depois do seu discurso do Estado da União, que decorreu na noite de terça-feira (madrugada de quarta-feira em Angola).
A maioria republicana no Senado (53-47) foi suficiente para garantir a absolvição do Presidente, depois de quase duas semanas de discussão à volta dos dois artigos para destituição que foram aprovados pela maioria democrata na Câmara de Representantes.
Se Trump tivesse sido considerado culpado de uma das duas acusações, o veredicto teria levado à sua demissão, o que seria inédito, uma vez que os outros dois processos de destituição absolveram Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998.
Nas alegações finais, esta semana, os democratas insistiram na versão de que Trump abusou do cargo, ao pressionar o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar a actividade da família de Joe Biden, rival democrata, junto de uma empresa da Ucrânia envolvida num caso de corrupção, e que tentou perturbar a investigação pela Câmara de Representantes.
A equipa de advogados do Presidente voltou ao argumento de que não houve pressão junto de nenhum líder estrangeiro (invocando mesmo declarações de Zelensky nesse sentido) e disse que Trump actuou sempre em função do interesse público, preocupado com o alastrar da corrupção na Ucrânia, negando igualmente qualquer acto de obstrução ao Congresso.
Ao longo do processo, Donald Trump repetiu que tudo não passava de uma “caça às bruxas” destinada a prejudicar a sua campanha para a reeleição nas presidenciais de Novembro.
Nancy Pelosi: “Permanece a ameaça para a democracia”
O Presidentes dos EUA continua a ser “uma ameaça para a democracia norte-americana”, afirmou na quarta-feira a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, ao criticar a absolvição de Donald Trump pelo Senado.
“O Presidente e os republicanos do Senado banalizaram a ilegalidade e rejeitaram o sistema de freios e contrapesos da Constituição” dos EUA, acusou Pelosi em comunicado, qualificando o republicano Trump e o chefe dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, como uns “velhacos”.
Depois de criticar McConnell, por “de forma cobarde ter abandonado o dever de defender a Constituição”, Pelosi salientou que se registou, pela primeira vez, um voto bi-partidário no Senado para a destituição de um presidente, aludindo ao voto de Mitt Romney, que alinhou com os democratas. 
Antecipando declarações de Trump, Pelosi rejeitou que a votação dos senadores corresponda a uma absolvição do Presidente norte-americano, uma vez que “não houve julgamento”.
E não houve julgamento, desenvolveu Pelosi, “porque não há julgamento sem testemunhas, documentos e provas”. 
Para a líder democrata, “ao suprimirem as provas e rejeitarem os elementos mais básicos de um processo judicial justo, os republicanos do Senado tornaram-se cúmplices (da operação) de encobrimento do Presidente”.
Contudo, mesmo sem estes recursos, Pelosi considerou que, durante o processo no Senado, os democratas “expuseram um caso esmagador, poderoso e incriminatório sobre o esquema do Presidente Trump para corromper as eleições de 2020 e provar a sua culpa”.
A defesa de Trump, acusou, foi incapaz de rejeitar os argumentos dos democratas, contrapondo que Trump “pensa que a sua reeleição é boa para o país, (pelo que) pode usar todos os meios necessários para vencer, sem responsabilidade, nem consequências”.
Por fim, Pelosi escreveu que, “devido à traição dos senadores republicanos à Constituição”, Trump “continua a ser uma ameaça para a democracia norte-americana, com a sua insistência de que está acima da lei e que pode corromper as eleições se quiser”.

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