Renamo acusa a Polícia de criar uma nova guerra

0

Responsabilizar a Renamo pelos ataques no centro “é uma vã e inglória tentativa da Polícia de pretender empurrar a Renamo para uma guerra porque não vai conseguir, essa não é a nossa agenda”, disse o porta-voz do partido, José Manteigas, falando em conferência de imprensa em Maputo.
Em causa está a detenção, na quarta-feira, de seis indivíduos suspeitos de envolvimento em ataques armados no Centro de Moçambique, um grupo que, segundo a Polícia, pertence à Renamo e é responsável pela violência que se tem registado desde Agosto naquela região do país. Para o porta-voz do principal partido de oposição, as acusações da Polícia moçambicana são infundadas e revelam a incapacidade das autoridades em apresentar respostas aos ataques.
O partido reitera que as autoridades devem criar uma comissão de inquérito para investigar a autoria dos ataques armados no Centro do país, reiterando que a Renamo não está ligada às incursões. “Há vários episódios de actos macabros envolvendo igualmente policias, como foi o caso do assassinato de Anastácio Matável (membro da sociedade civil morto em Outubro em Gaza), cujos criminosos vergavam fardamento da Polícia e camisetas do partido Frelimo, partido no poder. Os moçambicanos podem concluir que aqueles agiram em nome da Polícia e do partido Frelimo?”, questionou.
Os ataques armados contra viaturas no Centro do país provocaram pelo menos 21 mortos desde Agosto do ano passado e têm incidido sobre dois dos principais corredores rodoviários moçambicanos, a Estrada Nacional 1 (EN1), que liga o Norte ao Sul, e a Estrada Nacional 6 (EN6), que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbabwe e restantes países do interior da África Austral. As incursões acontecem num reduto da Renamo e onde os guerrilheiros daquele partido se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de Dezembro de 2016. As autoridades têm responsabilizado os guerrilheiros da Renamo que permanecem na região liderados por Mariano Nhongo, um oficial da guerrilha da Renamo dissidente do partido e que exige a renúncia do actual líder, Ossufo Momade.
Frelimo condena ataques
A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), condenou os ataques por grupos armados no Norte de Cabo Delgado e encorajou as Forças de Defesa a defenderem as populações vítimas dos ataques iniciados em Outubro de 2017, segundo informou ontem a Lusa.
“A comissão política da Frelimo condena veementemente esses actos de barbaridades que têm trazido morte e sofrimento nas populações”, lê-se no comunicado do órgão da Frelimo, que esteve reunido esta semana na 40ª sessão.
O partido no poder em Moçambique encoraja as Forças de Defesa e Segurança a “intensificarem a acção combativa”, como forma de garantir a defesa da paz, tranquilidade e ordem públicas, refere o documento, no qual a Frelimo também se manifesta solidária com as pessoas afectadas pelo mau tempo no Norte e Centro do país.
Em alguns pontos do Norte e Centro de Moçambique, especificamente em Cabo Delgado, Sofala e Manica, grupos armados têm protagonizado ataques contra viaturas civis, autoridades e aldeias.
No Norte, na província de Cabo Delgado, os ataques de grupos armados eclodiram há mais de dois anos e já provocaram pelo menos 300 mortos, além de deixar cerca de 60 mil afectados ou obrigados a abandonar as terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.

Share.

Deixar uma opinião

%d bloggers like this: