Reforçar a vacinação de rotina pode proteger milhares de crianças em risco de contrair doenças graves

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Enquanto o mundo se debate com a pandemia da Covid-19, milhares de crianças continuam sem ser vacinadas e em risco de contrair doenças mortais evitáveis pela vacinação, tais como a difteria, sarampo, meningite, tétano, entre outros.

A imunização salva milhões de vidas todos os anos e é amplamente reconhecida como uma das intervenções de saúde de maior sucesso a nível mundial. Todos, em toda a parte, têm direito à protecção contra doenças evitáveis pela vacinação, e a expansão do acesso às vacinas é fundamental para que as pessoas alcancem o seu pleno potencial.

Estudos mostram que, por cada dólar gasto na vacinação infantil a nível mundial, obtém-se 44 dólares em benefícios económicos. As doenças e mortes causadas por doenças preveniveis pela vacinação custam à África subsariana 13 mil milhões de dólares anuais, recursos que poderiam ser canalizados para reforçar os sistemas de saúde e fortalecer as economias.

Ao falar no âmbito da Semana Mundial da Imunização, celebrado todos os anos na última semana de Abril, a Representante da OMS em Angola, Dra. Djamila Cabral disse que, com todas as atenções centradas nas vacinas contra a COVID-19, não devemos esquecer outros compromissos essenciais de vacinação. A Representante da OMS advogou ser necessário reforçar o compromisso político, a acção e responsabilidade de todos, para aumentar o acesso à imunização de rotina, não só como medida de prevenção de futuros surtos de doenças, mas também como medida de reforço dos cuidados primários de saúde para a realização da Cobertura Universal de Saúde (CUS)”.

“Quando o acesso à vacinação aumenta num determinado país, não somente salva vidas e melhora os resultados no sector da saúde, como também desperta o potencial social e económico da população. As vacinas para salvar vidas são um direito de todos; todos temos a responsabilidade de garantir que ninguém seja deixado para trás sem ser vacinado”

Graças  aos esforços conjuntos das autoridades governamentais a todos os níveis, dos parceiros nacionais e internacionais, da sociedade civil e da população em geral, Angola registou nos últimos anos conquistas significativas a nível da imunização, com a certificação como país livre  da poliomielite selvagem, em 2015 e a introdução de novas vacinas como a pneumococo, a rotavírus e a vacina combinada do sarampo e rubéola.

Pese embora os avanços verificados, vários são os desafios que ainda se colocam para o aumento dos indicadores de imunização em Angola, tais como a melhoria da gestão de vacinas e material de vacinação, por forma a evitar roturas de estoques e garantir a disponibilidade de vacinas em todos os postos de vacinação; o aumento das coberturas vacinais de todos os antígenos, em todos os municípios do país; bem como a intensificação das actividades suplementares de vacinação para as doenças votadas para a erradicação e eliminação, nomeadamente a poliomielite, sarampo e tétano materno neonatal.

Além disso, a COVID-19 perturbou significativamente os serviços de imunização de rotina, reduzindo as coberturas vacinais de 79% em 2019, para 70% em 2020 e consequentemente, aumentando o número de crianças não vacinadas de 224.705 em 2019, para 327.507 crianças em 2020.

Por sua vez, o Representante Interino do UNICEF, Andrew Trevett fez saber que, a imunização é fundamental para proteger as pessoas, prevenir as mortes evitáveis, e ajudar as crianças em toda a parte a sobreviverem e a prosperarem. 

“Interromper a vacinação de rotina, em especial de crianças menores de 5 anos, gestantes e outros grupos de risco, pode levar ao aumento de casos de doenças preveníveis pela vacinação e ao retrocesso nas conquistas alcançadas. No curto, médio e longo prazo, as consequências dessa perda para as crianças poderão ser mais graves do que as causadas pela pandemia da COVID-19”.

 

Nunca na história da humanidade foram tão expressivas a importância da vacinação, quanto agora para o combate à pandemia da Covid-19. As vacinas contra a COVID-19 seguras e eficazes, juntamente com outras medidas preventivas como o uso de máscara, a lavagem das mãos e o distanciamento físico, ajudarão a aproximarmo-nos do fim da pandemia e a melhorar as condições para o reforço da imunização da população, em todas as localidades do país.

 

A Semana Mundial de Imunização é celebrada com o objectivo de promover o uso de vacinas para proteger as pessoas de todas as idades contra as doenças. Este ano, o lema escolhido é “As vacinas aproximam-nos”, destacando a necessidade do maior envolvimento em torno da imunização, para aproximar as pessoas e melhorar a saúde e o bem-estar de todos.

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