Presidente João Lourenço quer financiamento e facilidades para jovens apostarem no agro-negócio

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Ao discursar, nesta quinta-feira (29), na reunião do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Presidente João Lourenço lembrou que a população africana é jovem e terá um papel fundamental na transformação e no desenvolvimento da agricultura e das pescas. Por isso, defendeu a necessidade de motivá-los para o empreendedorismo e o agro-negócio, facilitando-lhes o acesso às terras, aos insumos, à formação, aos financiamentos, às novas tecnologias e aos mercados. Eis a íntegra do discurso:

-Exmo. Sr. Gilbert Houngbo,

Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA)

-Exmo. Sr. Presidente do Banco Africano para o Desenvolvimento

-Prezados membros do Conselho de Governadores,

-Prezados Representantes dos países membros do FIDA

-Minhas Senhoras e Meus Senhores,

 

Os meus agradecimentos ao Senhor Presidente do FIDA Dr. Gilbert Houngbo, pelo amável convite para intervir nesta cerimónia de abertura do Diálogo de Alto Nível sobre Alimentar África: Liderança para o Incremento das Inovações Bem-Sucedidas”, num contexto mundial ainda dominado pelo forte impacto da pandemia da Covid-19, que nos afectou de forma indiscriminada ao nível sanitário, socioeconómico e de segurança alimentar.

Daí a importância deste diálogo num momento em que existe a forte esperança de que, uma vacinação generalizada possa contribuir para a solução da crise e o regresso à vida normal.

Até lá, é importante estabelecer-se uma estratégia de actuação que permita coabitar com a pandemia enquanto esta não desaparece, visando garantir a segurança alimentar, a reactivação das economias e a normalização da vida dos cidadãos, conjugando esforços dos governos e o envolvimento do sector privado, da sociedade civil, das universidades e dos centros de pesquisa.

Senhor Presidente

O continente Africano é justamente considerado o continente da esperança e do futuro, pela juventude da sua população e pela importância e diversidade dos seus recursos naturais. Sua população rural está sobretudo ligada à agricultura familiar, que contribui com cerca de 70% para o abastecimento dos mercados, mas apesar disso continua a ser o mais pobre e com maiores problemas alimentares.

Os baixos preços das matérias-primas nos mercados internacionais e o grande peso da dívida externa são outros dos factores que dificultam a reactivação das economias dos países africanos, pelo que as negociações ao nível bilateral e multilateral deverão continuar para o reescalonamento das dívidas, em função da situação especifica de cada país.

A fraca industrialização para o processamento dos produtos do campo faz com que grande parte dos produtos alimentares processados consumidos em África, sejam importados de outros continentes.

Entrou em vigor a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que vem incentivar as relações comerciais de produtos e serviços entre países africanos, fortalecer a integração regional e reverter a forte dependência da importação de alimentos e outros bens de consumo.

À par destas condicionantes, verificamos com preocupação os efeitos das alterações climáticas que provocam com mais frequência a seca severa e inundações, assim como o surgimento de pragas, com impacto negativo na produção de alimentos.

Nesse sentido, consideramos relevante a implementação do Acordo de Paris, que deve fazer parte da Agenda Internacional, para que se criem sistemas apropriados de alerta de riscos e catástrofes, que permitam agir em antecipação a futuros eventos.

No controlo da praga de gafanhotos que assola as culturas no sul de Angola, contamos com a assistência técnica da FAO, através do projecto de resposta à propagação de gafanhotos na África Austral.

Uma preocupação complementar prende-se com os aspectos nutricionais, já que continuam a estar entre as causas principais das elevadas taxas de mortalidade infantil e do aumento de casos de diabetes e da tuberculose em África.

Senhor Presidente,

Minhas Senhoras e Meus Senhores

Nos últimos anos, verificamos uma forte vontade dos países africanos e da sua organização a União Africana, no sentido da transformação e da modernização da agricultura, das suas instituições, na melhoria da qualificação e aproveitamento dos quadros técnicos, na definição de novas estratégias e prioridades.

A população africana é jovem e terá um papel fundamental nessa transformação e no desenvolvimento da agricultura e das pescas. É importante motivar os jovens para o empreendedorismo e o agro-negócio, facilitando-lhes o acesso às terras, aos insumos, à formação, aos financiamentos, às novas tecnologias e aos mercados.

Esforços vêm sendo envidados para a melhoria dos processos de conservação e transformação, afim de se evitarem perdas significativas ao longo de toda a cadeia de valor, melhorar a qualidade e apresentação comercial, reduzir os custos, criar mais postos de trabalho e oportunidades de exportação.

Na generalidade dos países africanos, ainda é preponderante a agricultura familiar e nela a mulher ocupa um papel relevante, utilizando instrumentos tradicionais que exigem um maior esforço e reduzem a produtividade.

Impõe-se uma profunda transformação nesta área, através da sua formação em “escolas de campo”, do acesso às terras e ao crédito. Por outro lado, importa investir na pesquisa sem subestimar-se o conhecimento tradicional e a experiência dos pequenos agricultores, que pode ser melhorada e desenvolvida com a aplicação de novas tecnologias. A melhoria de sementes, o estudo dos fertilizantes, o combate às pragas e doenças animais, devem estar também entre as prioridades.

Senhor Presidente,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Permitam-me realçar aqui a grande contribuição e atenção reservadas ao meu país pelo FIDA e pelo BAD, pela aprovação e implementação de um conjunto de projectos de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar e à comercialização, à recuperação da agricultura, e ao reforço da resiliência dos pequenos produtores à escala familiar.

 

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