Prémio Nacional de Cultura e Artes distingue José Agualusa e Teta Lando (a título póstumo)

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O anúncio foi feito, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), em Luanda, pelo antropólogo e presidente do júri, Manzambi Vuvu, para quem os vencedores mereceram tal honra, devido à qualidade das obras, à sua acção e influência para a sociedade. Os criadores angolanos distinguidos, como reconhecimento do trabalho feito ao longo dos anos, em prol das artes e da cultura nacional, recebem os prémios, avaliados em três milhões de kwanzas, numa cerimónia oficial, a ser realizada no dia 8 de Novembro, às 18h00, no Cine Tropical, em Luanda.

Para o júri, Alberto Teta Lando merece a distinção pelo conjunto da obra, cuja longa, rica, bela e dura trajectória musical soube cantar os diferentes momentos históricos do país, misturando o drama das realidades do contexto vivido com a esperança de os angolanos reviverem a paz, os hábitos e costumes locais, através do domínio imaginário expresso nos provérbios da filosofia de vida “ubuntu”.

As composições de Teta Lando, destacou, tornaram-se clássicos do cancioneiro nacional, assim como foram e continuam a ser interpretadas em várias versões, adaptadas às novas correntes musicais e diversos ritmos angolanos, por artistas nacionais e estrangeiros.
Já o escritor José Eduardo Agualusa distinguido pelo facto de nas suas obras, a investigação, a memória histórica, a actualidade, o questionamento, a reflexão e o sentido estético serem um ponto comum, que lhe permitiu, ao longo de anos, propor um extenso e vital percurso criativo, capaz de contribuir para a projecção da literatura angolana no mundo. O prémio, admite, é o reconhecimento da ousadia e o comprometimento do escritor com as causas e as problemáticas sociais e políticas deste tempo, que lhe permitiram assumir posições intelectuais para ajudar, por meio da controvérsia e da polémica reflexiva, no surgimento de leitores emancipados.

O pintor Don Sebas Cassule tem o seu nome inscrito no “hall” dos vencedores do prémio devido ao seu percurso, currículo, às inovações, participações em eventos e distinções obtidas, a nível nacional e internacional. Os feitos do artista plástico, explicou o júri, realçam a forte componente criativa, desenvolvida ao longo de mais de 20 anos com muita perícia. Os trabalhos do criador, que incluem ainda as áreas de desenho e pintura, têm servido de “inspiração” para muitos jovens talentos.

Este ano, o júri decidiu ainda atribuir o prémio à Associação Globo Dikulu pela realização do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca), cuja criatividade artística e cénica tem permitido, ao longo de 14 anos, dar, de forma contínua, maior abertura às artes cénicas feitas por nacionais ou estrangeiros. A forma peculiar e diferente de abordar questões relacionadas com a realidade do país, em particular das comunidades, mas sempre com um forte pendor de formar, educar, moralizar, consciencializar e entreter as pessoas, também foi motivo para a atribuição do prémio.

O pesquisador António Domingos “Toni Mulato” foi o distinguido este ano na dança, pela longa e rica pesquisa feita em prol da recuperação das danças carnavalescas, em particular da “cabecinha”, um dos poucos estilos populares e recreativos, que ainda preservam os traços culturais da angolanidade.

A viver o Carnaval desde a década de 80, explicou o júri, o pesquisador tem sabido lutar pela defesa das tradições, em especial às ligadas à matriz angolana, num trabalho que já várias vezes recebeu o reconhecimento dos organizadores da “festa do povo”. A ampla veia criativa do realizador Dorivaldo Cortez valeu-lhe o prémio na categoria de Cinema e Audiovisual. Como membro da segunda geração de cineastas angolanos, tem ajudado muito nas campanhas de sensibilização social sobre saúde, prevenção e combate à corrupção, com o suporte do grupo Julu.

O trabalho do artista, acrescenta o júri, tem repercussões a nível nacional e internacional, com filmes como “Falso Perfil” a serem referências na Europa. O realizador tem usado a sétima arte para incentivar a educação sobre a cidadania.

O livro “O Estranho Destino de um Sertanejo na África Central e Austral: A Transculturação de Silva Porto (1838 1890)” deu à historiadora Constança Ceita o prémio deste ano na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, pelo carácter inovador, pertinência científica e académica do trabalho. O júri considera ainda o livro um estudo sobre as relações entre africanos e europeus, tendo como base o relacionamento entre Silva Porto e a sociedade umbundu, no contexto do tráfico de escravos, colonização e resistência, cujo teor ajuda a compreender melhor as sociedades africanas.

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