Praga de gafanhotos está a regressar 20 vezes mais forte ao leste de África

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Os dados não enganam e os técnicos que, no terreno, estudam a melhor forma de combater a praga de gafanhotos-do-deserto que, desde Novembro do ano passado, está a destruir culturas a ponto de colocar 20 milhões de pessoas em risco de fome, apontam para a existência de uma nova vaga desta praga a germinar na vasta região do Corno de África.

Os milhões e milhões de gafanhotos-do-deserto que estão a evoluir dentro dos biliões de ovos deixados para trás pelos enxames, centenas de enxames com, alguns, 150 milhões de indivíduos, estão quase a ganhar asas e os cientistas não têm dúvidas: a partir do que observam no terreno, a próxima vaga desta praga vai ser pelo menos 20 vezes maior que a anterior.

A razão são as chuvas que caíram entre finais de Fevereiro e início de Abril em países como o Quénia, a Etiópia, a Eritreia ou a Somália, especialmente mas não só, permitindo o alimento abundante para os gafanhotos procriarem em condições quase ideais.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), sublinhando essas condições criadas pelas chuvas, sublinha que a insegurança alimentar é cada vez mais acentuada nestes países e que já está a ser observado um enxame de gigantescas proporções que se dirige para o Sudão e para o Uganda a partir do Quénia.

Este problema, que não é uma ameaça nova nesta região, nasceu em Novembro do ano passado, com chuvas anormalmente intensas no deserto arábico, gerando vários enxames que, aproveitando as tempestades entretanto surgidas, se deslocaram desde o Iémen para África, atravessando o Mar Vermelho.

Ao aterrarem no continente africano, os gafanhotos encontraram igualmente condições adequadas à sua reprodução, transformando-se em enxames que a ONU anunciou terem chegado a mais de 150 milhões de insectos adultos.

Estes enxames voaram para países tão distantes como a Tanzânia ou o Burundi, ou na Ásia, ameaçando as colheitas no Paquistão e na China, que, como o Novo Jornal noticiou, adaptou medidas extremas para combater os insectos, fazendo deslocar milhares de aves, especialmente patos, para as fronteiras, de forma a se alimentarem destes invasores.

Pelo meio, ficaram mais de 20 milhões de pessoas em risco de fome e muitas mais sob ameaça da insegurança alimentar.
Actualmente, os esforços das equipas nacionais apoiadas pelos técnicos das Nações Unidas consiste em não deixarem que os enxames atinjam a idade adulta, quando se começam a reproduzir, aplicando quantidades massivas de pesticidas através de aviões preparados para o efeito, contando ainda com o apoio de tecnologia de ponta, incluindo programas informáticos de última geração.

Fonte: Novo Jornal/BA

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