Portuários em formação para conter coronavírus

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Em declarações à impren-sa, o director para a área de segurança e ambiente do Porto de Luanda, Romão de Andrade, disse que a formação é oportuna porque no terminal portuário, além das mercadorias e contentores, também têm atracado navios cruzeiros oriundos de vários países e com muitos passageiros a bordo.
“Logo, é imperioso dominarmos estas medidas de biossegurança para nos prevenirmos e evitar que a doença se desenvolva no nosso país”, frisou.
Romão de Andrade salientou que a direcção do Porto de Luanda está alinhada com as políticas de prevenção do Ministério da Saúde. “Por isso colocamos à disposição os diferentes membros da comunidade portuária como AGT, SME, Polícia Fiscal, Sanidade Marítima, Capitania do Porto de Luanda e todas empresas que intervêm no sistema de navio e de carga para participarem na formação”.
Em relação ao navio cruzeiro que atracou no Porto de Luanda, no dia 4, com 397 passageiros a bordo, proveniente da Ilha de Barbados, Estados Unidos, Romão de Andrade assegurou que todos os passageiros foram submetidos à medição da temperatura e outra inspecção sanitária que permite detectar se a pessoa é ou não suspeita de ter contraído o coronavírus.
O director para a área de segurança e ambiente do Porto de Luanda explicou que todos os passageiros apresentavam um quadro estável e no mesmo dia , por volta das 18 horas, o navio cruzeiro partiu com destino ao Ghana.
O inspector-geral da Saúde, Miguel de Oliveira, disse que as medidas de segurança foram reforçadas com a formação prestada aos trabalhadores do Porto de Luanda. “Estas medidas passam por existir uma área para observar eventuais doentes, uma sala para quarentena, e a verificação permanente de documentos sanitários de viajantes, navios, mercadorias e contentores de carga”, realçou.
Questionado sobre a existência de termómetros em todos os pontos de saída e entrada de passageiros, Miguel de Oliveira informou que o Ministério da Saúde já disponibilizou os referidos equipamentos, que estão a ser usados em pontos aéreos, terrestres, marítimos e fluviais, de modo a prevenir casos de coronavírus.
África tem apoio para diagnóstico do novo coronavírus
O coronavírus não é um vírus novo. Surgiu, em 2002, na China, com o nome SARS, tendo se espalhado pelo mundo, causando 774 mortes confirmadas. Em 2012, outra doença causada por um coronavírus foi relatada internacionalmente: a MERS, que se espalhou principalmente no Médio Oriente e matou mais de 800 pessoas. O novo coronavírus de Wuhan é oficialmente chamado de 2019-nCoV e causa sintomas parecidos com os do SARS e do MERS, embora ainda não se saiba se a sua origem e contágio sejam os mesmos. 
Embora não existam casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus na região africana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está a reforçar o apoio prestado aos países na detecção e gestão de casos suspeitos e a elaborar uma resposta robusta para o caso de ser detectado um primeiro caso.
Os 13 países de prioridade máxima na região africana são: África do Sul, Angola, Argélia, Côte d’Ivoire, Etiópia, Ghana, Maurícias, Nigéria, Quénia, República Democrática do Congo, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
O continente mantém relações estreitas com a China, que se encontra no epicentro do surto, motivo pelo qual a OMS considera que existe um risco elevado de o 2019-nCoV fazer a sua aparição nesta região.
Desde 22 de Janeiro de 2020, a OMS já recebeu dezenas de alertas, de 20 países, relacionados com possíveis infecções causadas pelo vírus. Depois de investigarem esses alertas para determinar se se trata de casos suspeitos de 2019-nCoV, os países recolhem amostras que são, em seguida, enviadas aos laboratórios para análise. 
Como se trata de um novo vírus, até ao início desta semana, só dois laboratórios (um no Senegal e outro na África do Sul) dispunham dos reagentes necessários para testar as amostras. Esses laboratórios serviam de referência para diversos países na região.
Desde então, quatro novos países (Ghana, Madagáscar, Nigéria e Serra Leoa) disponibilizaram-se para realizar testes. A OMS está a enviar kits para 29 laboratórios, na região africana, para garantir que dispõem dos meios necessários para diagnosticar o novo coronavírus e testar, pela mesma ocasião, as amostras enviadas pelos países vizinhos. “A aparição de um novo vírus representa sempre um desafio e a maioria dos laboratórios em África não tem o equipamento essencial para testar um novo patógeno”, declarou a directora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti.
Acrescentou que a OMS colabora com os países para alargar rapidamente as capacidades de diagnóstico do 2019-nCoV. É fundamental que os países na região possam detectar e tratar casos graves de forma precoce, uma vez que permitiria evitar a propagação de um surto que iria, mais tarde, desestabilizar os sistemas de saúde frágeis. 
A OMS identificou 13 países de prioridade máxima na re-gião que precisam de ser vigiados devido aos seus laços directos com a China ou ao elevado volume de viagens para o país. A Organização apoia activamente os países na coordenação dos seus esforços de preparação e já foram destacados efectivos adicionais para sete dos 13 países, prevendo-se, até ao final da semana, o destacamento completo de todas as equipas em todos os países.
Este apoio refere-se ao envio de equipamento de protecção a agentes de saúde, como termómetros e outros equipamentos essenciais para a realização de rastreios e a gestão de casos suspeitos nos aeroportos e pontos de entrada.

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