Pelosi rasga discurso do Estado da União de Trump

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O terceiro discurso do Estado da União de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos espelhou a divisão que se vive entre a Casa Branca e a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso norte-americano, controlada pelos democratas. Uma divisão que se tornou ainda mais visível desde que os democratas decidiram avançar com o processo de ‘impeachment’ contra o presidente dos Estados Unidos. 

O discurso do Estado da União aconteceu na véspera de ser conhecida a decisão do Senado – maioritariamente republicano – relativamente ao julgamento de ‘impeachment’, e que, salvo um volte-face dramático, deverá ilibar Trump. 
Foi neste ‘clima de guerra’ que Trump se apresentou no Congresso para fazer o discurso do Estado da União e antes de começar a falar recusou cumprimentar Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes e principal responsável pelo processo de ‘impeachment’ a Trump, como dá conta o The Guardian.
Porém, o momento que mais marcou o Estado da União aconteceu quando o presidente norte-americano terminou o discurso. Enquanto era aplaudido, Pelosi, que estava ao lado do vice-presidente Mike Pence e atrás de Trump, rasgou o discurso do Estado da União, num gesto cheio de simbolismo e que imediatamente se tornou viral. 

Quando os jornalistas lhe perguntaram porque tinha rasgado o discurso de Trump, Pelosi respondeu que foi a “coisa mais cortês a fazer, considerando a alternativa”. Mais tarde, a presidente da Câmara dos Representantes apresentou uma explicação mais elaborada no Twitter. 

“O manifesto de inverdades apresentando página após página no discurso desta noite devia ser um apelo à ação por parte de todos os que esperam a verdade do presidente e políticas à altura do seu cargo e do povo americano”, afirmou Nancy Pelosi. 

A reação da Casa Branca não tardou. Também no Twitter, acusou Pelosi de ter desrespeitado algumas das pessoas mencionadas no discurso de 78 minutos de Trump. 

Trump focou uma boa parte do seu discurso na situação económica dos Estados Unidos, salientando que “os anos de decandência económica acabaram” e que os “dias daqueles que usavam o nosso país, aproveitavam-se dele (…) ficaram para trás”. Também lançou farpas à administração Obama, frisando que se “as políticas falidas do governo anterior” não tivessem sido revertidas, “o mundo agora não estava a ver esse grande êxito económico”. 
O presidente prometeu ainda que no início do próximo ano, os Estados Unidos terão mais de 800 quilómetros de muro construídos na fronteira com o México.
Assim vai a política nos Estados Unidos, num ano que ficará marcado pelas eleições em novembro, o que poderá acentuar ainda mais as divisões num país que já está bastante dividido. 

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