Parque Nacional do Bicuar terá unidade para proteção de elefantes

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Agentes de segurança do, situado na província da Huíla, apreenderam, de 2007 a Abril do corrente, 605 armas ligeiras, cujos portadores, caçadores furtivos, foram encaminhados à Polícia

O administrador do parque, José Maria, que prestou a informação durante um encontro sobre o plano de gestão da instituição que dirige, realizado ontem, na cidade do Lubango, disse que o armamento apreendido, que já foi entregue ao Comando Provincial da Polícia na Huíla, servia para a caça ilegal das mais variadas espécies.
Sem revelar o número de caçadores detidos, José Maria fez saber que as acções de fiscalização, realizadas no referido período, inibiram sobremaneira a caça ilegal. “Actualmente, assiste-se apenas a caça esporádica em algumas lavras da comunidade circunvizinha , através de armadilhas e fios, para apanharem bambis, javalis e capotas”, disse José Maria.
O responsável disse que a Fiscalização do Parque Nacional do Bicuar tem correspondido às expectativas. “Os caçadores ilegais têm o cerco cada vez mais apertado. Actualmente, os grandes mamíferos circulam em manada em todo o território do parque sem ameaças, pelo que se regista um crescimento na natalidade de várias espécies”, garantiu.
José Maria informou que a fauna local é constituída por mamíferos de grande porte, tais como chita, hiena malhada, leão, leopardo, elefante, zebra de planície, facochero,potamochero, gunga, gulungo, olongo, palanca vermelha, nunce, gnu, impala vulgar, bambi comum, oribi, punja, búfalo negro e avestruz.
As espécies mais abundantes são o elefante, facochero, gunga, palanca vermelha, holongo, hiena, leopardos, mabecos, bambis e uma gama diversificada de aves.
O Parque Nacional, segundo o seu responsável, no quadro da preservação da fauna e da flora, privilegia a realização de reuniões e palestras constantes com comunidades dos municípios do Quipungo e da Matala.

Lavras devastadas

O responsável anunciou que 39 lavras foram devastadas pelos elefantes em várias regiões dos municípios dos Gambos e do Quipungo, concretamente nas localidades de Tchikuakusse, Matuntu, Mbambangala, Tunda, Vipadabali e Chimbolelo. “Isso significa que nesta época agrícola a colheita nestas regiões está comprometida”, admitiu.
José Maria informou que a direcção do Parque Nacional do Bicuar pediu autorização às autoridades competentes para o abate de um elefante ferido com idade já muito avançada, que está a criar pânico em comunidades circunvizinhas.
O responsável do parque está preocupado com o facto de inúmeras cabeças de gado, provenientes das localidades da Taca, Gambos, Cahama, Ngolodjo, Coroca, Kahila, Xangongo e Chibemba, estarem a pastar nas regiões da Kapanda, Mpadabali e Chimbolelo, nos Gambos, onde correm o risco de ser devoradas por leopardos.
“Por falta de chuva, os pastores de gado estão a encaminhar os animais para zonas onde há rios e lagoas, onde abundam animais ferozes. Aliás, vários vitelos de espécie bovina já foram devorados nesta região, concretamente em Ndjovodjovo”, detalhou.

Novos postos

O Parque de Bicuar conta actualmente com cinco novos postos de fiscalização devidamente apetrechados, nas zonas de Mbambangala, Nongalafa, Tchicwacusse, Matuntu e Ndjovodjovo, e quatro furos de água em Mbambangala, Kanodopi, Malipi e Nongalafa, equipados com painéis solares.
A infra-estrutura beneficiou ainda, nos últimos dias, de dois centros de rádio de comunicação , 14 rádios portáteis e de uma viatura para a direcção da Fiscalização.
A falta de apoio logístico e o défice de viaturas constituem, segundo José Maria, os principais obstáculos para a actividade da Fiscalização do Parque Nacional de Bicuar. Na mesma senda, a direcção da instituição debate-se com a falta de verbas para a abertura de 80 quilómetros de picadas nas regiões de Tchicwacusse, Hyeva e Macova a Hyeva, onde devem ser montadas câmaras.
A falta de pagamento de subsídios para os fiscais contratados tem criado, igualmente, grandes constrangimentos à actividade de fiscalização. “A falta de salários e subsídios para os fiscais totaliza mais de 35 milhões de kwanzas”, disse José Maria.

Fonte: Jornal De Angola/ JS

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