Obra do viaduto do Cazenga:Uma promessa quase cumprida

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Todos os dias, logo às primeiras horas da manhã, um grupo de homens manuseia máquinas e materiais diversos. Desdobram-se em esforços para a conclusão do viaduto do Cazenga, infra-estrutura que vai conferir maior mobilidade ao tráfego rodoviário, na capital do país.

Iniciada em Março de 2015, razões de ordem financeira e dificuldades no processo de negociação, para a expropriação das residências que se encontravam ao longo do traçado, estiveram na base da não conclusão da empreitada no ano de 2017.

Após conclusão, espera-se que a infra-estrutura facilite a circulação de viaturas (na parte superior) e de locomotivas do Caminho de Ferro de Luanda (na parte inferior). Os trabalhos de execução física do viaduto caminham para a recta final. A obra pode ficar concluída nos últimos dias de Junho ou no princípio do mês de Julho.

Enquanto os moradores, automobilistas e transeuntes aguardam expectantes, pela conclusão da obra, os agentes económicos da localidade acreditam que a efectivação da mesma vai permitir que mais clientes visitem os seus estabelecimentos comerciais.

Segundo informações avançadas por uma fonte da empresa responsável pela execução da empreitada, depois da conclusão do processo de colocação do tapete asfáltico, os trabalhos incidem em pequenos arranjos de adornamentos, instalação de corrimãos de protecção e segurança, sistemas de escoamento das águas e postes de iluminação pública.

Face à inexistência de uma maquete de projecção da obra, moradores e transeuntes fazem recurso à capacidade imaginativa, para perceber qual será o resultado final da engenharia.

As cogitações são de toda ordem. Uns sugerem a existência de uma rotunda circular, enquanto outros ficam pelo prolongamento da Rua de Macau, na sua ligação com a Avenida Ngola Kiluanje, passando pelo mercado do Tunga.

Valorização da zona

Ana Camosso, de 51 anos, vive desde 1978 na Rua de Macau. Ela acredita que o bairro da Terra Nova vai ser mais valorizada, pelo que espera um aumento significativo do valor dos arrendamentos dos imóveis. “Temos no nosso quintal quatro casas, que são regularmente alugadas. Com a conclusão da obra, os preços vão subir e os nossos rendimentos também”, disse a moradora, que sugere a criação de áreas verdes à volta da infra-estrutura.

A obra dura há cinco anos, período em que os moradores e automobilistas viram-se obrigados a fazer grandes sacrifícios. As interdições constantes nas ruas forçaram-nos a procurar várias soluções, muitas vezes arriscadas e de pouca praticidade. As distâncias tornaram-se mais longas, e o acesso a bens e serviços cada vez mais dificultados.

O quadro tende a mudar, tal como afirmou Gildo dos Santos, um jovem empreendedor que actua na área de venda de bebidas alcoólicas.

O proprietário da “Janela Aberta” localizada na Rua-1 da Comissão do Reordenamento do Rangel mostra-se confiante que, a obra vai melhorar a circulação de pessoas e bens, além de garantir o aumento significativo do volume de vendas dos comerciantes da localidade”.

Gildo dos Santos acredita mesmo que, a conclusão da ponte vai ser o trampolim para o crescimento dos negócios na localidade. “As obras limitaram muito a circulação e as paragens de táxis, por exemplo. Isso ajudou a diminuir a afluência de clientes no meu estabelecimento comercial. Com a conclusão desta obra, espero ver um aumento significativo dos lucros. A ponte representa uma mais-valia para todos nós”, afirmou.

O jovem empreendedor já decidiu o que fazer depois da inauguração e fim da pandemia. “Vou alargar o meu negócio. Penso abrir uma esplanada”, disse, para de seguida apelar aos órgãos de defesa e segurança no sentido de tudo fazerem para devolver à localidade, a paz e tranquilidade que sempre a caracterizaram.

“A delinquência está mesmo muito agressiva. A Polícia deve estender o tempo de patrulhamento. Só fica aqui até à meia-noite. Acho que é pouco tempo”, critica Gildo dos Santos.

Outra vantagem esperada, depois da conclusão da obra, é a redução de doenças respiratórias agudas. Diariamente, enormes quantidades de poeira são projectadas para a atmosfera, tendo como consequência imediata o surgimento de várias complicações de saúde, sobretudo em crianças e velhos.

“O viaduto vai dar lugar a um ambiente mais puro e saudável”, afirma um médico residente no bairro Terra Nova, que preferiu falar sob anonimato. De acordo com o profissional de saúde, a poeira é responsável pelo surgimento de doenças como a asma, bronquite e renite aguda.

“Em função da acção de substâncias irritantes, como a poeira, o processo respiratório fica comprometido, o que pode resultar em várias complicações de saúde, como a falta de ar e tosse”, explicou.

As vantagens resultantes da construção do viaduto do Cazenga estendem-se à diminuição dos índices de delinquência na zona. É opinião consensual dos moradores do Rangel, município de Luanda, e do Tala-Hadi, no Cazenga, que a instalação de torres de iluminação pública na ponte, além de conferir beleza à localidade vai, igualmente, funcionar como elemento inibidor da actividade dos marginais.

Diariamente, moradores e transeuntes são molestados pelos “amigos do alheio” que, na ânsia do lucro fácil investem contra os pacatos cidadãos, a quem retiram os parcos haveres e recursos de que dispõem. Apesar das inúmeras denúncias feitas aos órgãos policiais locais, o quadro não muda.

Fonte:JA/LA

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