Novas escolas do Distrito do Zango vão receber mais de 11 mil alunos

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A informação foi avançada ao Jornal de Angola pela directora municipal da Educação de Viana, Madalena Massocolo, que disse estarem criadas as condições para a entrada em funcionamento das seis escolas a partir do próximo ano lectivo.
As seis escolas dispõem, no total, de 132 salas, informou Madalena Massocolo, acentuando que, entre as seis escolas, estão três do ensino primário, duas com 24 salas cada uma e uma com 18, um complexo escolar, com 24 salas, para alunos do I Ciclo do Ensino Secundário (7ª à 9ª classes) e do II Ciclo do Ensino Secundário (10ª à 12ª classes), com cursos pré-universitários, um Instituto Médio de Saúde, também com 18 salas, e um Instituto Médio Politécnico Industrial, com 24.
As seis escolas da Centralidade do Zango 8.000, uma urbanização do município de Viana ainda com poucos habitantes e sem nenhum equipamento social em funcionamento, já estão apetrechadas com carteiras para receber, em cada turma, entre 36 e 50 alunos.
Cada sala das três escolas do ensino primário vai receber de 36 a 45 alunos, enquanto cada uma das turmas do complexo escolar e dos institutos médio de saúde e politécnico industrial vai ter 45 alunos, podendo chegar a 50, se houver grande procura de vagas.
Se em cada sala de aula das três escolas primárias tiver apenas 36 alunos e 45 alunos em cada turma do complexo escolar do I e II Ciclos do Ensino Secundário e dos institutos médios, os seis estabelecimentos de ensino da centralidade Zango 8.000 vão receber, no total, uma população de 11.340 alunos.
O número pode aumentar para 13 mil, se houver uma grande procura de vagas, podendo, por esta razão, cada sala das escolas primárias vir a ter 45 alunos e cada turma do complexo escolar e dos institutos médios 50 alunos.
O Instituto Médio de Saúde, o primeiro da rede pública no município de Viana, foi erguido na sequência de uma proposta feita pela Direcção Municipal da Educação, informou Madalena Massocolo.
Os seis estabelecimentos de ensino do Zango 8.000 vão funcionar, numa primeira fase, nos períodos da manhã e da tarde, embora já tenham condições técnicas e de segurança para o ensino pós-laboral.
A directora Madalena Massocolo confirmou que, nas seis escolas, já estão disponíveis, para o seu normal funcionamento, as redes de abastecimento de água potável e de energia eléctrica.
“As escolas são públicas e as inscrições de acesso vão estar abertas a todos que pretendam lá estudar, sem qualquer distinção, desde que apresentem os requisitos exigidos para o ingresso”, respondeu Madalena Massocolo, quando lhe foi perguntado se as seis escolas receberiam apenas moradores da centralidade Zango 8.000.
As seis escolas públicas da centralidade Zango 8.000 dispõem, entre outras áreas, de serviço e de apoio, de biblioteca, salas de informática, pavilhão e quadras desportivas.
O Presidente da República, João Lourenço, é aguardado amanhã, no Distrito Urbano do Zango, para, oficialmente, inaugurar a centralidade Zango 8.000 e as seis novas escolas públicas.

Défice de professores

O município de Viana tem, até hoje, défice de professores para o ensino primário, um assunto que Madalena Massocolo considera “um grande calcanhar de Aquiles.” A responsável pelo sector da Educação em Viana não adiantou o número de professores de que precisa o município, mas admitiu a possibilidade de enquadramento de docentes aprovados no concurso público da Educação realizado em 2018 e, actualmente, colocados em escolas comparticipadas.
“O ensino público é prioridade. Daí que, em caso de necessidade de mais professores, um pedido vai ser feito ao Gabinete Provincial da Educação de Luanda, que, por sua vez, saberá dar resposta”, adiantou Madalena Massocolo, que disse estar a ser feito um trabalho de levantamento, para que sejam conhecidas as necessidades actuais do município de Viana.

Crianças sem estudar

No município de Viana, estiveram, em 2018 e este ano, 49.222 crianças fora do sistema de ensino. O número já chegou a 137.450, nos anos anteriores. Por exemplo, em 2014, só no Distrito Urbano do Zango, foram contabilizadas aproximadamente 14 mil crianças fora do sistema de ensino.
O número de crianças fora do sistema de ensino chega ao conhecimento das autoridades do sector da Educação através da recepção de reclamações feitas por pais e encarregados de educação por falta de enquadramento após o período de inscrições.
A directora municipal da Educação de Viana declarou que o número de crianças fora do sistema de ensino é relativo, porque “muitas crianças são enquadradas noutras escolas, algumas das quais particulares, e a informação não é actualizada junto das autoridades competentes.”
Por esta razão, Madalena Massocolo defendeu que o Instituto Nacional de Estatística (INE) é a instituição que pode apresentar, anualmente, o número aproximado de crianças fora do sistema de ensino, a julgar pela especificidade do seu trabalho.
De acordo com Madalena Massocolo, as escolas de Viana precisam de manutenção permanente, trabalho que não é executado em muitos estabelecimentos do município por não terem orçamento para a execução de obras.
“Os directores têm feito um esforço enorme de gestão para a conservação das escolas, muitas das quais sem orçamento”, declarou a directora municipal da Educação de Viana, para quem “a construção de novos equipamentos é importante, mas é necessário que se faça manutenção permanente”.
Madalena Massocolo confirmou a existência de crianças que, por aprenderem a ler e a escrever através do método de explicação, entram para o ensino formal por via da realização de exames extraordinários, uma medida do Gabinete Provincial da Educação de Luanda. A responsável adiantou que o projecto do Gabinete Provincial da Educação de Luanda ainda não foi alargado a todos os municípios. Cada explicador, segundo Madalena Massocolo, deve inscrever não mais do que cinco crianças.

Movimento ainda tímido no Zango 8.000

O Jornal de Angola apurou, numa ronda feita sábado na Centralidade do Zango 8.000, que a centralidade dispõe de um centro médico, que vai funcionar num imóvel erguido para ser uma creche, serviço que vai existir em quatro dos cinco imóveis construídos para o efeito.
Móveis convencionais para mercados e lojas não há no Zango 8.000, mas já existem cantinas adaptadas em moradias. À entrada do Zango 8.000, estão a ser construídas estruturas para funcionar como armazéns de venda de produtos diversos.
A Centralidade do Zango 8.000 dispõe, além de quatro creches e um posto médico, de parques públicos, iluminação pública, semáforos funcionais e rede de esgotos. Água e luz não constituem problema. Nenhum morador tem, até agora, contrato com a Empresa Pública de Águas (EPAL) e com a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), mas já recebe, sem constrangimentos, os dois serviços públicos.
Os moradores, depois da assinatura do contrato com o Fundo de Fomento Habitacional, recebem um documento para a mudança das chaves pela empresa chinesa que construiu as moradias. No acto de abertura das casas, funcionários da empreiteira chinesa metem a funcionar, em cada moradia, o sistema de distribuição de água e luz eléctrica.
O movimento de pessoas no Zango 8.000 é ainda tímido e regista-se com maior frequência aos finais de semana. O Jornal de Angola abordou Severino Dores, que se deslocou a sua casa pela segunda vez, desde que recebeu as chaves, há mais de seis meses, para fazer limpeza.
Severino Dores declarou que não tem intenções, por enquanto, de se transferir de Viana, onde reside, para o Zango 8.000, uma decisão resultante do facto de não haver ainda na nova centralidade mercados e transportes públicos.
Carla Maria já se mudou para o Zango 8.000, com o esposo e os quatro filhos. Antiga moradora do bairro Neves Bendinha e funcionária numa empresa sediada na Vila Alice, Carla Maria disse ter tomado a decisão de mudança definitiva depois de ter tomado conhecimento da abertura, para breve, das seis escolas.
“Soube que os equipamentos sociais vão ser inaugurados, por isso mudei-me já, para garantir vagas para dois filhos meus em idade escolar”, explicou Carla Maria. Localizada no Zango 5, entre a comuna de Calumbo e o Zango 4, a Centralidade do Zango 8.000 ainda não está totalmente habitada, havendo ainda áreas a que as pessoas não têm acesso, por haver barreiras, que impedem a entrada.

Viana com mais 146 salas de aula

O município de Viana vai dispor de 146 novas salas de aula, a partir do próximo ano lectivo, com a entrada em funcionamento das seis escolas da Centralidade Zango 8.000 e de mais duas, uma localizada no bairro Tande, Distrito Urbano da Baia, e outra no bairro Capalanga.
As escolas dos bairros Tande e Capalanga são primárias e cada uma tem sete salas. A escola construída no Capalanga é uma oferta de um empresário, esclareceu a directora municipal da Educação de Viana, que disse ser, a partir do próximo ano lectivo, 292 o número de novas turmas, porque as escolas vão funcionar nos períodos da manhã e da tarde.
O município de Viana tem, actualmente, 144 escolas públicas e 1.010 particulares, conhecidas por colégios, número que, no entender de Madalena Massocolo, reflecte “a importância da parceria privada no contributo ao desenvolvimento do país.”

Zango bem servido
O crescimento populacional no município de Viana tem sido acompanhado com a construção de novos equipamentos sociais, entre os quais escolas, cujo número, segundo Madalena Massocolo, “cresce a um ritmo desejável em alguns distritos.”
“Mas é necessário que se olhe para outras áreas”, defendeu a directora municipal da Educação de Viana, que revelou estar o Distrito Urbano do Zango bem servido, por ter agora 40 escolas públicas, quando, em 2014, tinha apenas 27 estabelecimentos de ensino da rede pública.
Os distritos da Vila-Sede e da Estalagem, com 44 e 43 escolas, respectivamente, são as áreas do município de Viana, o mais populoso da província de Luanda, com maior número de estabelecimentos de ensino.
Madalena Massocolo reconheceu que o aumento do número de infra-estruturas escolares é satisfatório, mas lamentou a existência de algumas zonas com grande densidade populacional com carência de escolas, como os distritos da Vila Flor, que tem apenas duas escolas primárias, Calumbo com uma primária e adaptada, Baia e Kukuxi com quatro primárias cada um.
Os distritos da Vila Flor, Calumbo e Baia precisam cada um de duas escolas do I e II ciclos, com 12 salas, por terem apenas escolas primárias, acentuou a directora Madalena Massocolo.
A responsável garantiu que, com a entrada em funcionamento de novas escolas no Distrito Urbano do Zango, o número de alunos por salas de aula vai ser reduzido para 45. Até este ano lectivo, foram colocados entre 55 e 65 alunos numa única turma, em algumas escolas do Distrito Urbano do Zango.
Nos anos anteriores, acrescentou a directora, houve turmas com 110 alunos, devido à grande procura de vagas, embora o Ministério da Educação e o Gabinete Provincial de Luanda da Educação tenham orientado um limite de 75 alunos por sala no Zango.
“A tendência é a redução do número todos os anos e manter o rácio recomendado, que é de 35 a 40, com a construção de novas escolas”, salientou a directora municipal da Educação, para quem “o cenário tende a melhorar a cada ano.”

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