Nacionalistas admitem incumprimento das metas de 1961

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O presidente da Associação dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Benguela, Jacinto Lopes Campos, considerou que houve incumprimento das metas de Fevereiro de 1961, que versam na independência económica, autodeterminação e conquista do poder político.
Em declarações à Angop, por ocasião do 4 de Fevereiro, data que assinala o início da Luta Armada de Libertação Nacional, o nacionalista disse que em relação ao tempo colonial o país evolui muito pouco, continua-se a assistir que uns poucos cidadãos são muito abastados e a grande maioria quase não tem nada, a mesma situação que se quer corrigir desde 1961.
Jacinto Lopes frisou que apesar disso há sinais animadores, principalmente, no campo da formação do homem, capaz de no futuro assumir os destinos do país.
Há boas referências no que toca à formação de quadros, porque hoje encontram-se no mercado de trabalho muitos jovens licenciados, mestres e mesmo PHD, uma situação que tanto em 1961, como em 75 era inacreditável”, referiu.
O nacionalista reconheceu que ainda há dificuldades acentuadas, mas acredita num futuro melhor, a julgar por aquilo que os quadros nacionais são capazes de realizar em quase todos os níveis da vida do País.
O nacionalista Otchicala Ndumba afirmou que as autoridades políticas angolanas não foram capazes de assegurar, nos últimos 59 anos, um equilíbrio e equidade, na distribuição da riqueza nacional em benefício da população angolana.
Segundo o ancião, actualmente é acentuada a diferença nas condições sociais entre os cidadãos e aumentou o nível de pobreza que supostamente seria reduzido com o alcance da independência nacional em 1975.
Otchicala Ndumba reconheceu que houve falhas nas políticas que nortearam os ideais de 4 de Ferreiro de 61, sem no entanto duvidar que o fim do poder colonial constitui até hoje uma riqueza inestimável para todos que já experimentaram as agruras do regime.
“Para quem conheceu os tratos do sistema minoritário colonial português não vai dizer que seria preferível o colonialismo português, tendo em conta o seu carácter discriminatório e colonialista, mas nós também permitimos e usamos uma espécie de neocolonialismo, com novas minorias a dominar quase tudo, submetendo a população a estilo de vida de penúria que leva a questionar os ganhos da luta e do alcance da independência”, argumentou.
Na sua óptica, faltou abertura e coragem política para se abordar as coisas pelo verdadeiro nome, mas os acontecimentos precipitaram o 27 de Maio de 1977 e suas consequências inibiram muitos bons cérebros que se poderiam colocar ao serviço do bem comum.
Paulo Fernandes, 67 anos, que antes de servir o exército guerrilheiro nascente (FAPLA – Forças Armadas Populares de Libertação Nacional), integrou o exército colonial português, disse que há dificuldades no país, mas acredita que a situação venha a melhorar , porque depois da independência o país trabalhou para o alcance da paz definitiva, que foi a pior fase que Angola já conheceu.
“Já tivemos a guerra fratricida, que felizmente foi ultrapassada, mas hoje estamos a enfrentar uma nova guerra, agora, a guerra económica, social, que de certeza tem que ser vencida”, vaticinou.
Indicou que actualmente deve-se trabalhar na passagem do testemunho para a juventude de que a autodeterminação e a paz definitiva devem ser preservadas, porque a luta pela independência económica deve ser uma constante.
Em relação à valorização desta franja da população, frisou que muitos dos cidadãos que contribuiram para a libertação do País não recebem o subsídio destinado aos antigos combatentes, porque não foram cadastrados.
Apelou as autoridades do poder local para cuidarem mais das áreas de jurisdição porque em muitas zonas da chamada Angola profunda, quando chove há dificuldades de movimento até de bicicletas.
A 4 de Fevereiro de 1961, patriotas angolanos desencadearam um ataque à Cadeia de São Paulo e à Casa de Reclusão, em Luanda, dando início à Luta Armada. Esta luta culminou com a proclamação da Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975.

Fonte: Angop/AF

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