Moçambique. 13 milhões de eleitores chamados às urnas

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Em Moçambique já decorre o processo de votação para as sextas eleições gerais. Mais de 13 milhões de eleitores são chamados a escolher o Presidente da República, 250 deputados do parlamento e, pela primeira vez, dez governadores provinciais e respetivas assembleias. O primeiro cidadão a votar foi o Presidente da República, Filipe Nyusi, que deixou um apelo à serenidade e tranquilidade ao longo do dia.
Nyusi, Presidente da República que concorre a um segundo mandato, foi o primeiro a votar, acompanhado pela mulher, na Escola Secundária Josina Machel, em Maputo. Filipe Nyusi fez votos para que o país demonstre um apoio à democracia. “Vamos acreditar e vamos confiar”, sublinhou, entre apelos à paz e a um dia sereno, depois de uma campanha violenta.

O número de observadores nestas eleições cresceu de cerca de 10 mil há cinco anos para mais de 40 mil.

A votação vai decorrer em todo o país até às 18h00 (menos uma hora em Lisboa). Haverá 20.162 mesas de voto em território moçambicano, mais 407 no estrangeiro.

Na primeira hora da manhã, a Comissão Nacional de Eleições de Moçambique referia que a participação era elevada, não se registando “grandes problemas”.

“A primeira impressão é de muita satisfação. Como estamos a testemunhar, as filas são enormes, significa que há muita participação e esperamos que assim seja até ao final do dia”, disse Abdul Carimo, presidente da CNE, em declarações aos jornalistas em Maputo.

Se os níveis de votação das primeiras horas se mantiverem, o índice de participação dos eleitores poderá ser “muito maior” que em eleições anteriores, antecipou.

“Ainda não temos informação de grandes problemas, estamos a gerir todo o processo”, alertou.

A Comissão Nacional de Eleições afirma que caso haja garantias de segurança os cerca de 5.400 cidadãos dos distritos de Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado poderão votar.

Segundo a CNE, as forças de defesa e segurança estão no terreno para garantir que este direito e dever sejam exercidos como já está a acontecer em vários pontos do país.

Na assembleia onde deve votar o candidato da Renamo, houve registo de desacatos entre membros das mesas de voto. Imagens de canais de televisão moçambicanos, em direto do local, mostraram membros das mesas de voto a esmurrarem-se no interior do local de votação e eleitores apinhados à entrada.

As sextas eleições gerais de Moçambique contam com quatro candidatos presidenciais: o atual Presidente da República, Filipe Nyusi (Frente de Libertação de Moçambique — Frelimo), que concorre a um segundo mandato; o novo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade; o líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, e o candidato do partido extraparlamentar Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Mário Albino, este último com uma campanha limitada a alguns pontos de Nampula, província do Norte.

Às eleições legislativas e provinciais apresentaram-se 26 partidos. Apenas três partidos com assento parlamentar (Frelimo, Renamo e MDM) concorrem nos 11 círculos eleitorais do território nacional, mais dois círculos da diáspora (África e resto do mundo).

Pela primeira vez, serão também hoje eleitos os governadores das 10 províncias do país, que serão os cabeças-de-lista mais votados dos partidos concorrentes.

A eleição dos governadores provinciais é uma velha aspiração da Renamo (principal partido da oposição), para tentar chegar ao poder nas regiões, e decorre da aprovação de um novo pacote de descentralização, no âmbito das negociações para o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional de Maputo, assinado no dia 6 de agosto entre Filipe Nyusi e Ossufo Momade.

Este ano, verificou-se, novamente, violência durante a campanha eleitoral. A Polícia da República de Moçambique (PRM), registou até esta segunda-feira, um total de 19 mortes, dos quais uma parte decorrentes de acidentes de viação.

Organizações de observação apontam, no entanto, para cerca de 40 mortes entre acidentes de viação, confrontos e ataques envolvendo membros de diferentes partidos ou pessoas ligadas ao processo eleitoral.

Na segunda-feira, dia 07, um grupo de polícias terá perseguido e matado a tiro um dirigente de uma organização e observador eleitoral, reacendendo o debate sobre outros homicídios de figuras públicas críticas do poder e que nunca foram julgados.

A votação vai decorrer em todo o país das 07h00 até às 18h00 (menos uma hora em Lisboa). Cada mesa de voto só encerra quando for atendida a última pessoa que àquela hora estiver na fila para votar.

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