Ministério do Interior condena de forma “veemente” morte de elemento da Polícia de Fronteira pelas Forças

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A delegação do Ministério do Interior (MinInt) na província da Lunda Norte condenou hoje de forma “veemente” ao mesmo tempo que manifestava a sua “profunda indignação” perante a “barbaridade” cometida pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) ao matarem a tiro um elemento da Polícia de Guarda Fronteira (PGF) angolana, no Domingo, quando investigava uma possível operação de contrabando de combustível de Angola para o país vizinho.

Em comunicado, o MinInt admite que o episódio que culminou na morte a tiro do agente da PGF, Maurício Caita, da 7ª unidade desta força na Lunda Norte, teve lugar no interior do território congolês mas, contrariando a tese das autoridades da RDC, sublinha que uma patrulha angolana motorizada procurava averiguar a razão da presença de cerca de 20 elementos junto de uma grande quantidade de combustível, constituindo uma possível situação de contrabando de combustíveis de Angola para a RDC, como sucede amiúde.

Os dois elementos da PGF angolana, segundo este documento do MinInt, no Domingo, estavam em missão de patrulha na fronteira e “depararam-se com acampamento onde estavam elementos trajados à civil e com grandes quantidades de combustível armazenado em bidões”.

Os dois efectivos da PGF “procuraram fotografar o combustível, convencidos que se tratava de um grupo de contrabandistas” de gasolina no interior de Angola, mas que, na verdade se veio a revelar um destacamento das FARDC localizado a cerca de 300 metros adentro do território congolês.

Perante a presença dos dois agentes da PGF, segundo esta comunicação do MinInt da Lunda Norte, os militares das FARDC procuraram prendê-los e, estes “na vã tentativa de fuga, foram alvo de disparos de arma de fogo, tendo resultado na morte de um dos agentes”.

Isto ocorreu na área de vigilância do posto fronteiriço do Nachiri, do lado angolano, no município do Chitato, localidade de Sandumba, e do Tchitundo, do lado congolês.

Depois de estabelecidos contactos com a parte congolesa, o corpo do agente angolano abatido pelas FARDC foi entregue às autoridades nacionais, bem como a motorizada, faltando, todavia, uma pistola e um telemóvel da vítima.

Como o Novo Jornal noticiou durante o fim da manhã de segunda-feira, este incidente foi primeiramente divulgado pelo lado congolês como resultante de uma intrusão de elementos das forças de segurança angolanas na RDC.

O governador congolês da província do Kasai, Dieudonné PIeme, avançou mesmo a versão de que a troca de tiros ocorreu quando dois elementos das forças angolanas se introduziram em território congolês e começaram a filmar as posições da FARDC ao longo daquele trecho de fronteira, tendo sido detectados pelos serviços de inteligência congoleses.

“Dois elementos das forças angolanas entraram em território da RDC e iniciaram acções que levaram os nossos elementos dos serviços de inteligência a questioná-los, obtendo como resposta a violência porque um destes indivíduos tinha uma pistola e disparou contra um dos nossos agentes, ferindo-o. Ouvindo o tiro, os elementos das FARDC foram em auxílio e, na fuga dos indivíduos angolanos, dispararam contra eles, fazendo um deles tombar”, adiantou o governador do Kasai.

Este incidente, recorde-se, sucedeu depois de em Maio deste ano, ter ocorrido uma situação semelhante, na mesma fronteira, tendo um soldado angolano ficado ferido, tendo, na altura, cada um dos lados reafirmado que estava no seu território.

É ainda de lembrar que em Junho, as autoridades do Kasai e da Lunda Norte estiveram reunidas em Kamako, cidade congolesa, onde ficou definido entre as partes que seriam criadas patrulhas mistas envolvendo forças da ordem congolesas e angolanas, tendo esta iniciativa tido como objectivo harmonizar posições entre os dois lado da fronteira depois da troca de tiros de Maio último.

Fonte: NOVO JORNAL/BA

 

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