Mercado do Sequele põe fim à venda desorganizada

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O espaço de estacionamento de viaturas e descargas de produtos e também de circulação de vendedores e clientes no mercado do Sequele está desobstruído desde segunda-feira, na sequência da remoção de tendas e contentores, onde eram praticados negócios de natureza diversa.

A remoção é resultante de uma decisão da Administração do Distrito Urbano do Sequele e foi feita com o objectivo de recuperar “o bom ambiente” quatro anos depois da abertura do mercado.
No total, foram removidos mais de 100 tendas e alguns contentores, em cujos espaços havia serviços informáticos, de alfaiataria, reprografia e de aplicação de extensões de cabelo, venda de material didáctico, roupa usada, bebidas e refeições, salões de beleza, armazém, lojas de vestuário, cosméticos e lubrificantes.
Os proprietários das tendas e dos contentores que criavam transtornos ao estacionamento de viaturas, à descarga de produtos e à circulação de vendedores e clientes foram transferidos para um mercado privado aberto no bairro Mayé-Mayé. A transferência irritou os vendedores afectados pela medida, de acordo com alguns proprietários abordados pelo Jornal de Angola, por falta de condições básicas no mercado do Mayé-Mayé e por afectar as vendas, se houver fraco movimento.

A medida de remoção e transferência das tendas e dos contentores é ainda resultante de reclamações apresentadas por moradores da cidade do Sequele à Administração do Distrito Urbano do Sequele devido aos embaraços causados e à venda desordenada à volta do mercado.

O director do Mercado do Sequele disse, ontem, ao Jornal de Angola, que o processo de transferência visou, sobretudo, “eliminar o excedente de vendedores, que muitas vezes produziam muito lixo mas não lhe davam o devido tratamento”.

Jorge da Silva explicou que se pretende, com a medida, colocar o mercado a funcionar com normalidade, apenas com a venda de produtos diversos no seu interior.
“A ideia é recuperar o bom ambiente no mercado e facilitar o estacionamento de viaturas e a descarga de produtos, que eram feitos de forma constrangedora”, acentuou o director do Mercado do Sequele.

O Serviço de Fiscalização do Distrito Urbano do Sequele usou, no processo de remoção e transferência, três camiões, um dos quais de remoção e transporte de contentores, e 10 homens para a transportação e arrumação do material no novo mercado.
Um dos responsáveis do Serviço de Fiscalização, que preferiu não se identificar, declarou que a transferência decorreu sem constrangimentos, devido a uma campanha de sensibilização realizada há dois meses.

O novo mercado está a cinco quilómetros da cidade do Sequele e ainda não dispõe de energia eléctrica, de água potável, de lavabos e banheiros.
Muitas reclamações
Uma proprietária de um salão de cabeleireiro considerou que foram “atirados” para um local sem condições, um desabafo reforçado por um empreendedor na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, para quem a existência de energia eléctrica é condição primordial para a manutenção do negócio.

“Sem energia eléctrica é impossível manter o negócio”, afirmou o empreendedor que, tal como a proprietária do salão de cabeleireiro, preferiu não se identificar. A falta de água no novo mercado vai comprometer o trabalho dos salões de beleza, lamentou Ana Antunes, uma funcionária de um salão de beleza, que disse estar preocupada com a possibilidade de ela e as colegas ficarem desempregadas.
O alfaiate Cardoso Manuel considerou que houve desorganização no processo de transferência por alguns colegas de profissão terem tido prejuízos, em decorrência da danificação de máquinas de costura, devido à má arrumação nos camiões que as transportaram. O sexagenário Cardoso Manuel reclamou do facto de os alfaiates terem sido os últimos a receber lugares no novo mercado.
Moradores aplaudem

Petra Diogo, uma moradora, afirmou que a presença de tendas no mercado da cidade do Sequele promovia a promiscuidade e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
A ideia de Petra Diogo é comungada por Carlos Miguel, também morador, que disse concordar com a medida, “porque muitos alunos de ambos os sexos ‘matavam’ aulas e ficavam nas barracas a beber”.

Um morador do edifício que está junto ao Mercado do Sequele aplaudiu a medida da Administração do Distrito, reconhecendo haver agora mais tranquilidade.
“Já vivemos momentos de muita preocupação, porque, entre nós, havia um sentimento de alerta, porque o ambiente desagradável que havia no mercado estava à vista dos alunos e doentes que frequentam as escolas e o Centro Médico de Saúde de Referência localizados junto ao mercado”, salientou o morador, que também falou sob anonimato.

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