João Lourenço reconhece danos à economia em consequência da corrupção

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PRESIDENTE DO MPLA, JOÃO LOURENÇO (ARQ.)

O presidente do MPLA, João Lourenço, reconheceu esta sexta-feira, em Luanda, os danos causados à economia, aos cidadãos angolanos e à imagem externa do país, em consequência da corrupção, nepotismo e da impunidade instalada pela anterior governação do partido no poder.
João Lourenço, que falava na sessão de abertura da III Reunião Ordinária do Comité Central do MPLA, afirmou que o seu partido tem hoje a coragem e a determinação de encabeçar a luta contra estes fenómenos negativos e condenáveis.
“É evidente que a quebra do status quo e a perda repentina de privilégios abismais, que alguns pensam ser um direito divino inquestionável, tinham de criar resistência organizada na tentativa de conseguir fazer refrear o ímpeto das medidas em curso, parar ou mesmo reverter para a situação anterior”, referiu.
Para o líder partidário, a luta contra a corrupção já não é só do MPLA e da oposição, mas, também, de toda a sociedade angolana que penalizará os que desistirem ou pretenderem regressar ao passado.
Neste contexto, disse, toda a sociedade angolana defende a necessidade da continuação do combate ao fenómeno, devido aos danos morais, de reputação e económicos, de cujo prazo o país beneficiará.
Criticou as vozes discordantes de como a luta contra a corrupção vem sendo feita, pois muitas delas defendem que o combate deve ser apenas levado a cabo com campanhas de educação, sensibilização e apelo ao patriotismo, dispensando a acção da Justiça.
Na sua opinião, todas as acções são importantes e necessárias, quer sejam levadas a cabo pelos políticos, pela comunicação social, igrejas e organizações da sociedade civil, pois servem apenas para educar, prevenir e alertar os cidadãos a não enveredarem por caminhos errados.
Declarou que, estando a corrupção tipificada como crime, para quem já está presumivelmente nele envolvido, não há forma de se evitar os órgãos de Justiça.
Mesmo assim, referiu, o Estado foi benevolente e magnânimo ao estabelecer um período de seis meses, equivalente, quase, a uma amnistia, para o repatriamento voluntário dos avultados activos que têm no exterior ou os bens ilicitamente adquiridos no país.
Sublinhou que o povo angolano, principal vítima da anterior situação de corrupção, aplaude as medidas em curso, no sentido de revertê-la.
“A anterior situação beneficiou muita gente de dentro e de fora que, obviamente, não está satisfeita com o actual quadro e, por isso, luta com todas as forças para ver se ainda é possível voltar a reinar no paraíso”, afirmou.
Denunciou que todos os meios têm sido usados para descredibilizar o processo em curso, denegrir a boa imagem do Executivo angolano, criar a divisão e o enfraquecimento das fileiras do MPLA.
Para o líder partidário, a ambição dos envolvidos na corrupção foi desmedida. “Deviam agradecer pelo que estamos a fazer, porque, se deixarmos a festa continuar, talvez viessem a morrer de congestão de tanto comer”, ironizou.
Reafirmou a continuidade da postura de autocensura de coragem política, lisura e verticalidade face ao fenómeno da corrupção, porque assim o partido sai cada vez mais forte perante os seus militantes, a sociedade, em geral, e em melhores condições de enfrentar os desafios do futuro.

TPA com Angop/AF

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