Hospitais angolanos têm especialistas que tratam apneia do sono

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O médico cirurgião Renato Palma assegurou hoje, em Luanda, que o país tem especialistas em serviços de otorrinolaringologia, pneumologia, psicologia clínica e psiquiatria capazes de tratar pacientes com apneia do sono.

Em declarações ao Jornal de Angola, o médico disse que a doença não causa recaídas aos pacientes, mas algum cansaço durante o dia devido ao fraco registo de sono à noite. Ao definir a apneia como um transtorno do ritmo respiratório, que acomete o ritmo do sono, mormente no período nocturno, Renato Palma explicou que ela ocorre quando as pessoas apresentam algumas pausas respiratórias, durante o sono, devido a factores orgânicos (anatómicos) e psicológicos (sistema nervoso central).
As pessoas susceptíveis de apanhar a doença são principalmente adultas, sedentárias, corpulentas, obesas e com uma circunferência cervical de mais de 45 centímetros, pescoço bastante curto, cabeça arredondada e com um aumento das vísceras abdominais. Os pacientes de AVC, hipertensos, epiléptico, indivíduos com trabalho forçado e utilizadores de drogas são, igualmente, susceptíveis de ter apneia do sono.
O médico acrescentou que este transtorno acomete mais indivíduos do sexo masculino, sobretudo na média idade, entre os 40 e os 55 anos.
Os doentes de apneia fazem, durante o sono, uma pausa respiratória de mais ou menos dez segundos. Depois de despertarem, retomam o ritmo respiratório, porque, muitas vezes, observa-se a queda da língua. Renato Palma avançou que os pacientes diabéticos, por terem muitas vezes compressão diafragmática, podem apresentar paragem respiratória durante o sono.
Os doentes de apneia do sono revelam-se sonolentos, no período diurno. Na maior parte das vezes, além de se apresentarem visivelmente cansados no local de trabalho e com fraca produção, têm dificuldades de prestar atenção e de transmitir conhecimentos, no caso dos professores, por falta de repouso à noite.
“Não é aconselhável que esses pacientes trabalhem com máquinas e conduzam durante o dia”, indicou o cirurgião, salientando que o paciente deve consultar especialistas para ser avaliado e decidir-se o melhor enfoque da sua patologia. Renato Palma afirmou que, caso o médico otorrinolaringologista determine a existência de um transtorno anatómico e um aumento da amigdalite na região nasal e bocal, que interfere com o fluxo normal do ar para dentro, o paciente pode merecer uma intervenção cirúrgica.
O tratamento baseia-se em dois pilares, nomeadamente o higiénico dietético, que visa aconselhar os doentes a fazerem exercícios físicos, caso sejam obesos, e para aqueles com baixo peso terem uma alimentação adequada. Como medida profilática, os utilizadores de drogas são persuadidos a abandonar tal prática.
O segundo pilar de tratamento, que surge nos casos de pacientes com dificuldade respiratória por obstrução, é necessária uma intervenção cirúrgica mínima, que pode ser feita nos hospitais de Angola. “As consequências máximas da apneia do sono é a dificuldade respiratória, que causa uma diminuição do oxigénio a nível do cérebro”, explicou Renato Palma.
Alguns pacientes, em função do diagnóstico, são prescritos a usarem uma máquina de nome CPAP, que ajuda a manter a pressão positiva nas vias respiratórias, funcionando como um gatilho. O paciente dorme com este equipamento e sempre que registar alguma pausa, manda um jacto de ar para abrir as vias respiratórias. Em seguida, o indivíduo retoma o seu ciclo respiratório normal.
“São equipamentos à venda no mercado. Não precisamos de ir à China, pois com a globalização tudo podemos encontrar na Internet ou podemos pedir a pessoas que comprem no exterior do país”, disse o médico.

Fonte: JA/BA

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