Hélder Pitta Grós pede ajuda sobre “muita coisa”

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O procurador-geral da Republica, Hélder Pitta Grós, está, desde hoje, em Lisboa, Portugal, para pedir ajuda sobre “muita coisa”, não esclarecendo se sobre o caso de Isabel dos Santos.

“Vim pedir ajuda de muita coisa”, disse Hélder Pitta Grós, quando questionado se veio solicitar a colaboração das autoridades portuguesas na reunião que teve na tarde de hoje com a homóloga Lucília Gago.
“No âmbito das nossas relações com a Procuradoria Geral (da República portuguesa) viemos aqui para vermos o que faremos este ano”, adiantou apenas, em declarações recolhidas pela RTP no aeroporto de Lisboa e reproduzidas pelo Diário de Notícias.
Na quarta-feira, ainda em Luanda, o procurador-geral da República anunciou que a empresária Isabel dos Santos tinha sido constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela petrolífera estatal, a Sonangol.
O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou, no domingo, mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de “Luanda Leaks”, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário, utilizando paraísos fiscais.
A empresária Isabel dos Santos disse estar a ser vítima de um ataque político orquestrado para a neutralizar e sustentou que as alegações feitas contra si são “completamente infundadas”, prometendo “lutar nos tribunais internacionais” para “repor a verdade”.
O Tribunal Provincial de Luanda deu provimento, no final de Dezembro, a uma providência cautelar preventiva que arrestou os bens da empresária em Angola, mas parte do império de Isabel dos Santos estende-se a Portugal, com participações directas e indirectas na petrolífera Galp, no banco Eurobic, na operadora de telecomunicações Nos e na companhia de engenharia Efacec.
De acordo com a investigação deste conjunto de órgãos de comunicação social, entre os quais o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai e que tinha como única accionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da operadora NOS.
Na quarta-feira, o procurador-geral da República afirmou que o processo de inquérito, aberto na sequência de uma denúncia do ex-presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, já foi transformado em processo-crime.
Acrescentou que algumas pessoas foram constituídas arguidas: a empresária e filha do ex-Presidente angolano Isabel dos Santos; Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da Sonangol; Mário Leite da Silva, gestor de Isabel dos Santos e presidente do Conselho de Administração do BFA; Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da NOS e Nuno Ribeiro da Cunha.

“A PGR não é um órgão político”, garante magistrado

Hélder Pitta Grós refutou quarta-feira em Luanda, as reiteradas acusações da empresária Isabel dos Santos segundo as quais estaria a ser alvo de uma perseguição política por parte das autoridades angolanas.
Abordado sobre o assunto, durante uma conferência de imprensa que serviu para anunciar que Isabel dos Santos tinha sido constituída arguida, o magistrado afirmou que “a PGR não é um órgão politico”.
Hélder Pitta Grós disse ainda que a PGR iria mostrar com factos e matéria criminal que a permitirá levar o processo contra Isabel dos Santos a tribunal.
O procurador-geral da República garantiu que a instituição que dirige vai trabalhar com muita atenção e responsabilidade na utilização de todos os documentos despoletados com a operação do consórcio de jornalistas no caso “Luanda Leaks”. Hélder Pitta Grós sublinhou, entretanto, que tais documentos só serão usados, caso tenham sido obtidos de forma legal.
Questionado sobre se o uso do passaporte russo por Isabel dos Santos não vai dificultar as diligências para um fecho positivo do processo, o magistrado disse apenas que, caso a empresária se identifique como cidadã russa, as autoridades angolanas vão interagir com as entidades russas para se resolver o conflito.

Fonte: JA/BA

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