Governo entrega primeiras certidões de óbito às famílias das vítimas do conflito

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O Governo angolano começou esta quinta-feira a entregar, formalmente, os primeiros certificados de óbito às famílias das vítimas dos conflitos armados, cuja entrega simbólica abrangeu três familiares de pessoas falecidas no 27 de Maio de 1977.

Este processo arrancou hoje (27) na província de Luanda com uma cerimónia sob o lema “Abraçar e Perdoar”.  Enquadra-se no programa da Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, ocorridos no país  entre 1975 e 2002.  Vai decorrer em todo o país, de forma gratuita.

De acordo com às autoridades angolanas, o processo vai abranger, também,  os cidadãos que perderam a vida em decorrência de outros conflitos políticos registados nos últimos 44 anos.

A esse respeito, o Presidente da República, João Lourenço, apresentou publicamente na quarta-feira (26), um pedido de desculpas públicas e perdão à Nação, pelos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, que vitimaram um número indeterminado de cidadãos.

Exumação e entrega de ossadas

Na ocasião, deu a conhecer que o Executivo vai, nos próximos dias, dar início ao processo de localização dos restos mortais das vítimas do 27 de Maio de1977, para a sua exumação e entrega aos familiares.

Dos restos mortais (ossadas) a serem localizados constam os nomes de Alves Bernardo Baptista (Nito Alves), Jacob João Caetano (Monstro Imortal), Ernesto Eduardo Gomes da Silva (Bakalof), Sita Maria Dias Valles (Sita Valles), José Jacinto da Silva Vieira Dias Van-Dúnem (Zé Van-Dúnem), António Urbano de Castro (Urbano de Castro), David Gabriel José Ferreira (David Zé).

Constam, também, os nomes de Artur de Jesus Nunes (Artur Nunes), Pedro Fortunato, Arsénio José Lourenço Mesquita (Sianuk), António Lourenço Galiano da Silva, Domingos Ferreira de Barros (Sabata), bem como dos ex-militares da 9ª Brigada, do Destacamento Feminino e da então DISA.

Este processo abrange, igualmente, a entrega às respectivas famílias das ossadas de Jeremias Kalandula Chitunda, Elias Salupeto Pena e Adolosi Paulo Mango Alicerces, tombados em combate no conflito pós-eleitoral de 1992, na cidade de Luanda.

O Chefe de Estado pediu a compreensão de todos, para aqueles casos em que não for possível atingir este objectivo (localização das ossadas).

Apelo a outros pedidos de desculpas

No entender do Presidente João Lourenço, o  Estado angolano abre, com essas iniciativas, uma nova página da sua História, tendo encorajado a todos os outros actores e participantes dos conflitos políticos a fazerem, igualmente, pedidos de desculpas.

Conforme o Presidente, o povo angolano já deu provas de saber perdoar e merece ouvir igualmente, de quem tem a responsabilidade de o fazer, um pedido público de desculpas e de perdão pelas almas de Tito Chingungi e de Wilson dos Santos (antigos dirigentes da UNITA), bem como das respectivas famílias.

O mesmo pedido, sublinhou, deve ser feito em memória das valentes mulheres das fogueiras da Jamba (antigo bastião da UNITA), dos passageiros do comboio do Zenza-do-Itombe, dos mártires das cidades do Cuito (Bié) e do Huambo, e de outros cidadãos não citados no seu discurso à Nação.

“Este povo heróico e generoso, que já deu provas de saber perdoar, merece ouvir igualmente,  de quem tem a responsabilidade de o fazer, um pedido público de desculpas e de perdão pelas almas de Tito Chingungi, de Wilson dos Santos e respectivas famílias, das valentes mulheres das fogueiras da Jamba, dos passageiros do comboio do Zenza-do-Itombe, dos mártires das cidades do Cuito (Bié) e do Huambo, e de outros não citados aqui”, ressaltou o Estadista angoalano, em referência as outras tragédias ocorridas em Angola.

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