Fumadores estão associados ao grupo de risco da Covid-19

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  1. Com a situação da Covid-19, o usuário de tabaco faz parte do grupo de risco, por apresentar um organismo fragilizado e vulnerável, cujas complicações são irreversíveis em caso de uma possível contaminação, que pode acabar em morte instantânea, admitiu a directora do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas, Ana da Graça.

Em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala hoje, Ana da Graça confirmou ao Jornal de Angola que o tabaco é um factor de risco para doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, o cancro, respiratórias e diabetes, que colocam as pessoas nestas condições em maior risco de desenvolver doenças graves, se forem afectadas pelo coronavírus.

“A nicotina no cigarro causa doenças pulmonares, cardíacas, cancerígenas e bocal”, disse, afirmando que o tabaco representa um obstáculo ao desenvolvimento e uma ameaça aos esforços de prevenção, tratamento e controle da doença.

A Covid-19 é uma doença infecciosa que ataca principalmente os pulmões. O tabagismo prejudica a função pulmonar, tornando mais difícil para o organismo combater o coronavírus e outras doenças.

Embora considere que Angola não é um país de produção de tabaco, nem de grandes fumadores, a directora do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas fez saber que as estatísticas indicam que as pessoas vindas do estrangeiro estão em maior número entre os fumadores.

Além de não permitir a plantação do tabaco no seu solo, Angola está desprovida de indústria de tabaco.

“O que é consumido é taxado”, disse, augurando que, cada vez mais, a Administração Geral Tributária (AGT) faça taxas mais altas para desencorajar não só a entrada, como também evitar novos fumadores”.

“A plantação do tabaco torna os solos menos aráveis”, esclareceu Ana da Graça.

“Os Estados têm a missão de alertar, devido às epidemias provocadas pelo tabaco. A nossa função é informar o público sobre o perigo do tabaco, uma vez que está carregado de substâncias muito fortes e prejudicais à saúde”, disse.

Ana da Graça apontou haver ainda uso do tabaco tradicional nas zonas rurais, um hábito que, com as campanhas de sensibilização, as pessoas estão a perder, ganhando, sim, a consciência do mal que é fumar.

Angola premiada

No ano passado, Angola foi outorgada com um Prémio Mundial Sem Tabaco, pela OMS, devido ao trabalho que tem realizado, para evitar novos fumadores e ajudar as pessoas viciadas a abandonar o hábito.

“Temos aqui, em Angola, um trabalho louvável”, anotou Ana da Graça. E acrescentou: “trabalhamos com as crianças, sobretudo nas escolas, porque elas levam a informação para casa”.

Em África, 94 milhões de homens, 13 milhões de mulheres e um em cada cinco adolescentes consomem produtos do tabaco. Como consequência, todos os anos, 146 mil africanos morrem de doenças relacionadas com o tabaco.

Este ano, o Dia Mundial Sem Tabaco é comemorado sob o lema “Proteger os Jovens da Manipulação da Indústria”, com a finalidade de exortar a necessidade dos governos e dos seus parceiros, nomeadamente a família, igrejas, media e sector privado, entre outros, continuarem a desenvolver acções que visam contrariar as tácticas agressivas da indústria de tabaco, que visam atrair uma nova geração de clientes.

Ana da Graça informou que Angola tem registado, ultimamente, um aumento de adolescentes dos 13 a 15 anos a fazerem o uso do cigarro e também de bebidas alcoólicas.

“Precisamos da colaboração das famílias para que sejam retiradas desta situação”, salientou, considerando que a disseminação da informação e o preço alto do tabaco têm ajudado na redução de fumadores.

Para aquela responsável, a falta de uma indústria de tabaco em Angola tem sido também um factor inibidor para o pouco consumo do tabaco no seio da juventude.

“Não nos faz falta ter uma indústria de tabaco. Algumas indústrias estrangeiras aparecem com ofertas, mas recusamos. Não temos relação nenhuma com as representantes destas indústrias”, disse.

Ao explicar que estão a trabalhar numa lei que vai reforçar algumas proibições, lembrou que algumas já são conhecidas, nomeadamente a proibição à venda de cigarros a menores de 18 anos e evitar-se fumar em lugares públicos, próximo de crianças.
“Os não fumadores são prejudicados, quando inalam o fumo”, asseverou, para sublinhar que, nas maternidades, o trabalho de sensibilização tem sido feito para que as gestantes não façam o uso do cigarro, por prejudicar o filho.

Quanto à relação com as instituições militares, onde o número de fumadores é alto, Ana da Graça elogiou a parceria com as Forças Armadas Angolanas, que têm garantido o transporte e a estadia, no sentido de desencorajar os militares de fazer o uso do tabaco lícito e ilícito.

Fonte: JA/BA

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