Falta quase todo tipo de museus em Angola

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Em tempo de comemoração e reflexão em torno dos museus no mundo, o professor e historiador Filipe Vidal, em entrevista ao nosso site, disse faltar quase todo tipo de museus, sobretudo aqueles que veiculam a identidade angolana.

TPA Online – O que os Museus representam para um povo?
F.V – Para um povo um Museu representa uma janela em que este se encontra com a sua História e Identidade. Um ponto de onde se pode traçar os laços com a nossa própria genealogia.

TPA Online – A globalização, tecnologias de informação e todos outros avanços tecnológicos exercem alguma influência negativa para adesão aos Museus?
F.V – De forma absoluta, aliás, hoje por via destas mesmas “novas tecnologias” é possível fazer-mos visitas guiadas a vários museus do mundo. O que devemos ter cuidado é não diluirmos o Museu local aos Museus virtuais.

TPA Online – Como está Angola em relação aos Museus? Estamos bem representados?
F.V – Em Angola falta-nos vários tipos de Museus, quase todos que nos chegaram foram fruto da acção dos portugueses coloniais, tal como o Museu Nacional de História Natural. Grande parte dos nossos museus locais são Etnográficos/Etnológicos e não nos ligam profundamente a nossa cultura, pois nós edificamos estes museus numa perspectiva de um olhar inverso à nossa própria Identidade. Falta aqui, por exemplo, um Museu de Arte Clássica Angolana, antes de um Museu de Arte Contemporânea Angolana como se aventa há muito tempo. Os nossos museus carecem de visitação local, além de quase não terem verbas para a sua manutenção e expansão.

TPA Online – Há alguma política de conservação e manutenção dos Museus?
F.V – No papel elas existem, mas de facto nota-se pouco.

TPA Online – Em que aspectos devem melhorar os nossos museus?
F.V – São vários os aspectos a serem melhorados, desde o eixo dos recursos humanos, conversação dos acervos, interação com a população (gestão de proximidade) e integração no pacote turístico local.

TPA Online – Entre os vários tipos de Museus existentes no mundo, que tipologia sente falta em Angola? Por que?
F.V – (…) Podemos reforçar que nos falta quase todo tipo de museus, sobretudo aqueles que veiculam a nossa identidade. Mas como existir na plenitude estes tipos de museus e outros se “desconhecemos” e “temos medo” de nossa história civilizacional?

TPA Online – África é um continente rico em Museus?
F.V – África enquanto continente foi e é o maior fornecedor de acervos museograficos no mundo, fruto da pilhagem cultural ocidental europeia colonial e isso torna pobre o nosso continente neste quesito.

TPA Online – Enquanto historiador que opinião tem sobre a adesão dos angolanos aos Museus? Há esta cultura por parte dos nossos cidadãos? A nossa sociedade conhece a importância dos Museus?
F.V – Já expressamos nossa opinião sobre estes pontos, mas deixa-nos dizer que não existe uma política de integração entre os museus e a cidadania.

TPA Online – Fazendo uma futurologia, em seu ver, daqui a 50 anos veremos mais museus a nascerem ou os existentes a desaparecerem?
F.V – Tudo dependerá da vontade das pessoas. Os dois extremos são válidos.

TPA Online – Em relação ao tema da entrevista que recomendação gostaria de deixar?
F.V – Deveremos fazer uma romagem (viagem) aos princípios da panafricanidade e entender que a cultura é a alma dos povos como aferiu Cheikh Anta Diop.

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