Esta é a melhor dieta de 2020 (mas, não é exatamente uma dieta)

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Janeiro é o mês predileto de muitos para começar uma dieta. Com a chegada do Ano Novo, surgem as resoluções de seguir uma alimentação mais saudável pobre em açúcares e hidratos de carbono. Mas, será que esta abordagem é a mais correta? Talvez não. 

De acordo com um artigo partilhado pela publicação HuffPost US, nos últimos tempos tem vindo a ganhar destaque um novo tipo de regime alimentar radical e que é a antítese de dietas como a cetogénica (ou keto) e o jejum intermitente. Chama-se comer intuitivamente e contradiz tudo o que provavelmente pensa que sabe acerca daquilo que não deve e deve comer para perder peso. 

A alimentação intuitiva sustenta que a melhor dieta é não fazer qualquer dieta. Por outras palavras, ao invés de se restringir a regras alimentares rígidas, deve sintonizar a sua vontade natural de comer aquilo que quer, quando quer. Parece-lhe uma ideia completamente ‘louca’, espere!

Como aponta o HuffPost se por um lado, as dietas tendem a não funcionar a longo prazo: 95% das pessoas que perdem peso numa dieta recuperam-no no espaço de cinco anos; por outro lado, um estudo norte-americano realizado por investigadores do National Health and Nutrition Examination Survey publicado em novembro de 2019 indicou que, embora mais indivíduos tenham perdido peso principalmente por meio do controle do consumo de alimentos, os índices de massa corporal e as taxas de obesidade continuam a subir. 
Adicionalmente os investigadores defendem que existem riscos para a saúde ao seguir aquilo que podemos considerar ser uma dieta ‘perfeita’. O conceito tão popular e atual de ‘comer limpo’, por exemplo, enfatiza os alimentos locais, orgânicos, não geneticamente modificados, não processados e à base de plantas. Mas a fixação em abacates, óleo de coco e quinoa, enquanto são demonizados alimentos processados, coloca a alimentação num extremo e numa obsessão perigosa.

Christy Harrison, a ex-editora de uma revista de comida escreveu no passado sobre o estilo de vida sem glúten e com baixo teor de hidratos de carbono acreditando que estava a promover escolhas alimentares saudáveis. Todavia, admite “quando estava em casa comia uma quantidade enorme de bolachas de água e sal e de tostas para tentar ter a satisfação que teria se me tivesse permitido comer uma fatia de pão”, disse HuffPost. 
Atualmente no comando do popular podcast Food Psych, Harrison está a liderar uma contra-revolução contra a cultura da dieta. O seu livro, ‘Anti-Diet’, é um golpe na indústria da perda de peso, que movimenta milhões de dólares em todo o mundo.

A especialista crê que a privação tipicamente imposta pelas dietas está na origem de obsessões alimentares, além de serem extremamente dispendiosas. “Começa a ver que não está realmente a ter tudo aquilo que quer e que muitos aspetos importantes da vida lhe estão a passar ao lado – tempo e dinheiro, bem-estar e felicidade”. 
Harrison e um número crescente de profissionais holísticos de saúde, o antídoto é a alimentação intuitiva. Criado por Evelyn Tribole e Elyse Resch em meados da década de 1990, os dez princípios da alimentação intuitiva foram concebidos para ‘curar’ a nossa relação com os alimentos e o nosso corpo. “A viagem para uma alimentação intuitiva é como fazer uma caminhada pelo país”, escrevem os autores em ‘Alimentação Intuitiva’. Ao contrário da dieta, o processo é não-linear e personalizado, com um foco não julgador no bem-estar, e não na perda de peso.

Porém, se a alimentação intuitiva é baseada em sugestões de alimentação interna, podemos realmente confiar em nós próprios?

“Comer é fundamental para a sobrevivência humana”, afirmou a jornalista Virginia Sole-Smith ao HuffPost. A autora de ‘The Eating Instinct’ encontrou provas convincentes de que todos nascemos com um conjunto de instintos para comer e auto-regulamentar a nossa ingestão alimentar. Até as crianças o fazem. O problema começa quando crescemos numa cultura que substitui o conforto e o prazer em torno da ‘comida por culpa’, vergonha e medo. “Estamos convencidos de que comer as coisas erradas engorda”, afirmou. 
Pode culpar a indústria da dieta, mas Sole-Smith, juntamente com Harrison, coloca a mesma culpa no movimento alimentar natural. Durante 20 anos, os esforços para denunciar as injustiças ambientais, sociais e raciais no sistema alimentar também demonizaram os alimentos industrializados como ‘maus’ e ‘sujos’. E se escolhermos comê-los, não somos saudáveis por associação.
Embora viver à base de iogurtes, chia e quinoa pareça algo pisitivo, não é sustentável para a maioria das pessoas. “Acho que a pressão para comer o mais limpo, inteiro e natural possível está a desgastar as pessoas. Ouça o seu corpo e encontre o seu equilíbrio”, conclui Sole-Smith. 

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