Especialista considera gestão dos recursos hídricos um desafio para África

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O director do Instituto de Pesquisa egípcio das Águas, Abbas Charaki, afirmou segunda-feira no Cairo, que a gestão dos recursos hídricos continua a ser um grande desafio para a África.

Falando numa palestra sobre os desafios e as potencialidades hídricas de África, no âmbito da 54ª edição do programa de formação de jornalistas africanos, o responsável disse que 40 milhões de pessoas nascem a cada ano no continente, que detém apenas nove por cento da água doce existente no mundo.

De acordo com Charaki, a bacia do Congo detém metade da água doce do continente, com 58%, enquanto que 24% se encontram-se na África de Oeste, 8% na África do Leste e 7% na África Austral.

Afirmou que 85% da água doce do continente são usadas para a agricultura, mas as colheitas permanecem mínimas, o que significa que não há equilíbrio entre o que é cultivado e os frutos dessa actividade.

Na sua intervenção, defendeu ainda que a água doce de África deve ser bem aproveitada e usada principalmente na indústria, para contribuir para o desenvolvimento do continente.
Considerou o consumo de água imprópria e o seu mau uso como principal causa de 80% das doenças em África, apontando a poluição da água, o problema da segurança, as fronteiras, os distúrbios geológicos e climáticos como outros desafios para a gestão deste recurso no continente berço.

“A qualidade, a quantidade e a necessidade de água são as principais causas de conflitos relacionados com a gestão de recursos hídricos no continente africano”, admitiu.
Para inverter essa situação, recomendou a sensibilização para o consumo justo e racional de água, a partilha de informações, a prevenção de conflitos, a colaboração entre os Estados e a resolução de conflitos por meio do diálogo.
 
Organizado pela União de Jornalistas Africanos (UJA), em parceria com o Conselho Superior da Média do Egipto, o programa que decorre desde sábado último no Cairo, reúne mais de 20 jornalistas do continente. 
 
Desde a sua primeira edição em 1992, um total de 1,059 jornalistas africanos participaram desta formação patrocinada pela UJA, com sede na capital egípcia.

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