Cunene recebe chuva intensa

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Depois de quase 12 meses de seca severa, a província do Cunene recebeu, nesta terça-feira, a primeira chuva de grande intensidade.

A chuva começou por volta das 14h58, em várias ruas da cidade de Ondjiva.      

Até ao momento não se pode quantificar o volume de água que caiu sobre o Cunene, cuja produção agrícola ficou, este ano, completamente comprometida.  

A ANGOP apurou que a chuva, de algumas horas, deixou ruas e estabelecimentos comerciais inundados em Ondjiva, além de originar a queda de árvores.

Entretanto, a primeira chuva na província, desde o começo da seca, em Outubro de 2018, caiu há quase dois meses. De lá para cá, cai com alguma regularidade, mas sem grande intensidade.

Segundo previsões do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET), a província poderá registar este mês chuvas acima do normal, com volume de água acima de 800 milímetros, 200 a mais que o normal (600 milímetros) para esta egião do país.

Devido à escassez de chuva, a campanha agrícola 2018/2019 no Cunene ficou comprometida, sem colheita nos 205 mil hectares onde estiveram envolvidos 99 mil camponeses.

A seca originou crise de água e pasto, afectando 857 mil e 443 pessoas, de um total de 171.488 famílias, e um milhão de cabeças de gado.

Desde o começo do fenómeno, em Outubro de 2018, registou-se a morte de 30 mil animais, entre gado bovino, caprino e suíno.

As autoridades locais contam, actualmente, com 20 camiões cisternas e 400 reservatórios espalhados pelo território da província, para a distribuição de água às populações.

Está também em curso a reabilitação de 171 furos de água, uma média de 28 furos por cada município, num total de seis circunscrições.

Para o efeito, o Executivo disponibilizou 3.9 mil milhões de Kwanzas para a aquisição dos meios.

A seca no Cunene é um fenómeno cíclico, que remonta a 1995. Desde aquele ano, a cada cinco anos vai ressurgindo com intervalos de período de cheia.

Com efeito, registou-se seca em 2008, 2011 e 2017, desalojando mais 400 famílias, actualmente realojadas nos barros de Cashila III e Ekuma Nahuma, arredores de Ondjiva.

A seca deste ano é a mais devastadora dos últimos 24 anos da história do Cunene.

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