Covid-19: Realizados mais de 200 testes no Américo Boavida

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Mais de 200 passageiros dos voos DT 651 e DT 653 da TAAG, provenientes de Lisboa no dia 17 de Março, começaram a ser testados ontem, no Hospital Américo Boavida, em Luanda.

Em função do sol que se fazia sentir, os testes foram realizados debaixo de árvores, mesmo tendo sido montado uma tenda para o efeito. Em declarações ao Jornal Angola, Boana Pedro, 59 anos, disse que, desde que chegou de Portugal, cumpriu com todos os requisitos da quarentena domiciliar e aguardava apenas que fosse notificada para os testes.

Ana Faustina, passageira do voo DT 651, garantiu que cumpriu a quarentena domiciliar e só se deslocou ao Hospital Américo Boavida por ter sido notificada para fazer a testagem. “Isto é importante porque não sabemos quem está bem e quem não está”, disse. O empresário Leonel Pinto acompanhou o filho para fazer a testagem. Segundo ele, embora os passageiros não apresentem sintomas da doença, não garante segurança a ninguém. Por isto, acrescentou, é importante serem testados, na medida em que o país e o mundo atravessam um momento crítico.

Especialista em Saúde Pública, Ludi da Costa, disse que ontem 70 por cento de testes foram realizados nos vários postos montados para atender os passageiros dos voos DT 561 e DT 653, embora estivessem passageiros de outros voos. Ludi da Costa garantiu que os resultados das análises serão conhecidos dentro de 24 horas.

Salú Gonçalves é testado

O radialista e apresentador de televisão Salú Gonçalves foi um dos passageiros do voo do dia 17 de Março presente na Escola Nacional de Saúde Pública, ao Morro Bento, para a colheita das amostras da Covid-19. Em declarações ao Jornal de Angola, Salú Gonçalves disse ter chegado ao local quando eram 14 horas, tendo encontrado um número considerável de pessoas que aguardavam para serem atendidas.
Apesar da demora, acrescentou, idosos e pessoas com crianças ao colo foram as primeiras as serem atendidas. O radialista pensou que a colheita de amostra seria rápida, mas acabou por esperar durante duas horas para o efeito.
“Os passageiros da primeira classe do mesmo voo não apareceram. Isso mostra algum tratamento diferenciado neste processo”, desabafou. Ele espera que os resultados sejam dados em dois ou três dias. Apelou também os cidadãos a cumprirem com as medidas de combate à propagação do vírus.
“O Executivo está a gastar muito dinheiro neste processo, cujo sucesso vai depender de todos nós”.
Salú Gonçalves assegurou que, desde que chegou de viagem, está há 42 dias em quarentena domiciliar, tendo saído apenas para ir à farmácia e para a testagem.

Processo rápido

Manuel Gunza, de 35 anos, disse que o processo não foi demorado, embora tenha chegado ao local às 14h30 e atendido às 16h. “Havia alguma confusão, porque os técnicos não tinham certeza se a colheita de amostras era para os passageiros do dia 17 ou os que saíram lá no dia 17 de Março”, disse.

A colheita, contou, foi feita com a introdução de uma zaragotoa no nariz, sublinhando que esteve em Portugal de férias. Considera que tem havido algum preconceito por parte das pessoas, sobretudo de colegas de trabalho e amigos que atiram a culpa da Covid-19 a todos os cidadãos provenientes de Portugal. “As pessoas devem se informar mais.

O novo coronavírus é uma doença como qualquer outra e que todos estão sujeitos a apanhar caso não se respeite as medidas de prevenção, como a lavagem das mãos, uso de máscaras, o destanciamento social”, enfatizou. Solteiro e a viver sozinho, assegurou que cumpriu rigorosamente com todas as normas da quarentena domiciliar, tendo na altura dispensado a empregada doméstica. “Espero que tudo corra bem com os demais cidadãos que estão na mesma condição”, disse. 

Mauro Jorge, outro viajante, conta que, antes da testagem, as pessoas devem verificar o nome na lista fornecida pelo Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), na qual consta todos os passageiros, e posteriormente preenche uma ficha com dados pessoais,e cumprir a fila e aguarda pelo teste.“Acho que houve alguma falta de informação neste processo, sobretudo, com datas e chegadas dos voos”, assinalou. Acrescentou que cumpriu com os dias da quarentena domiciliar e o distanciamento social. O jovem reside na zona do Morro Bento espera ter um resultado negativo.

Já Sara Sousa revelou que o teste foi um pouco desconfortável porque inseriram com alguma profundidade a zaragatoa para a colheita da amostra. A estudante, que se encontrava a estudar em Lisboa, apelou aos cidadãos a aderirem aos testes e a cumprirem com o horário estabelecido, uma vez que estarão a colaborar não só com autoridades sanitárias, mas, também, a salvar vidas.

Edson Santos chegou à Escola Nacional de Saúde Pública por volta das 13h40 para atender ao apelo não só do Ministério da Saúde, como, também, da entidade empregadora que exige o teste antes de retomar ao trabalho. Conta que cumpriu um mês de quarentena domiciliar e não teve nenhum tipo de sintoma associado à Covid-19. Aconselha as pessoas dos voos anunciados a realizarem os testes voluntários uma vez que está em causa a saúde pública. Os testes estavam a ser realizados no interior de uma tenda em que as pessoas tiveram de cumprir uma fila. O atendimento era feito por ordem de chegada, sendo que os idosos e as senhoras com filhos menores tinham prioridade

Jornal de Angola

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