Covid-19: Jovem angolano combate a pandemia na África Ocidental

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Um jovem angolano, residente na China, integra uma equipa que está a instalar laboratórios para testes de ácido nucleico e providenciar treinamento técnico no Gabão, Togo e Benin, no âmbito da luta contra a Covid-19.
Segundo destacou, no sábado e ontem, a imprensa chinesa, escrita e televisiva, trata-se de Valdemar Tchipenhe, 23 anos, licenciado em Biotecnologia pela Universidade Normal de Zhejiang, em 2018. Logo após a conclusão dos estudos, o jovem foi contratado pela empresa chinesa “BGI Genomics”, que, depois de treinamento especializado adicional, pôs-lhe a trabalhar na sua sede, em Shenzhen.
Com o surgimento do novo coronavírus, o jovem angolano foi chamado, em Janeiro, a juntar-se à equipa de especialistas chineses. Na altura tinham de trabalhar mais de 12 horas por dia, porque a maioria dos técnicos de laboratório estava em quarentena nas cidades de origem. A BGI desenvolveu o kit de testes do tipo “RT-PCR” fluorescente em tempo real para detectar SARS-CoV-2, fabrica sistemas automatizados de preparação de amostras de alta precisão, o “MGISP-960”, e kits de extracção de RNA de amostras para geração de resultados e análises adicionais.
Valdemar Tchipenhe disse que foi contratado há cerca de um mês para fazer parte da equipa científica chinesa que agora está a implementar o projecto laboratorial “Huo-Yan” em alguns países da África Ocidental para a triagem e teste do SARS-CoV-2.
A equipa tem como missão instruir os especialistas da-queles países em como manusear os produtos e materiais biomédicos, através de aulas teóricas e práticas. “O facto de ter saído de África, aprender biotecnologia na China e agora estar aqui ajudando outros povos africanos diante da pandemia da Covid-19, com o conhecimento que adquiri durante os meus seis anos de estudo e trabalho na China, faz-me sentir como se tivesse responsabilidades acrescidas sobre os meus ombros”, diz o jovem, natural do Sumbe, em entrevista ao canal televisivo “China Vision”.
A equipa, composta por nove pessoas, já instalou dois laboratórios em Libreville e um em Lomé. Uma dessas unidades pode efectuar cinco mil testes por dia e apresentar resultados em 24 horas. Na conversa que manteve ontem, ao telefone, com o embaixador de Angola na China, João Salvador dos Santos Neto, o especialista angolano manifestou interesse em trazer a sua experiência e a tecnologia da BGI a Angola, para apoiar os esforços do Governo no combate ao novo coronavírus.
O jovem argumentou que, além de ter aprofundado os conhecimentos sobre o mundo das ciências médicas, aprendeu também lições valiosas de vida, como ter empatia pelas necessidades de outras pessoas e saber valorizar as habilidades de outras. Ao responder a uma questão sobre o possível regresso a Angola, Valdemar Tchipenhe disse que, por enquanto, pretende permanecer na China para continuar a “elevar” os seus conhecimentos e “adquirir” mais competências na sua área do saber.
“A melhor maneira de am-pliar o meu horizonte é estar no exterior, aprendendo o má-ximo possível, expandir as minhas conexões e quando es-tiver melhor preparado regressarei para dar a minha contribuição e “isso não é algo que pode ser realizado a curto prazo”, segundo disse. Valdemar Tchipenhe beneficiou de uma bolsa do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), co-financiada pelo Conselho de Bolsas de Estudo da China (CSC), em 2014.
“Honestamente, eu não sabia muito sobre o mundo fora de Angola até quando fui à China aos 17 anos. A China foi o primeiro país para o qual viajei. Foi também a primeira vez que saí da minha área de conforto”, afirmou. Mesmo estando actualmente no Togo, o embaixador de Angola na China telefonou a Valdemar Tchipenhe para o encorajar e expressar o seu apoio pela dedicação e entrega nesse projecto humanitário, e convidou o jovem a visitar a Embaixada, tão logo regresse de África.
Fonte:JA/LA

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