Covid-19: 70 vacinas em desenvolvimento, três já em fase de teste em humanos e outras três descobertas científicas importantes

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Existem 70 vacinas contra o coronavírus em desenvolvimento em todo o mundo, com três já na fase de testes em seres humanos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Os testes clínicos mais avançados são da autoria da Cansino Biologics, sediada em Hong Kong, e do Instituto de Biotecnologia de Pequim. A segunda vacina está a ser testada pela norte-americana Moderna Inc. e uma terceira está também nas mãos de uma farmacêutica norte-americana, a Inovio Pharmaceuticals Inc.

É um progresso praticamente sem precedentes na história da medicina mundial. Uma vez que é pouco provável que o vírus seja eliminado através de medidas de contenção, a indústria farmacêutica está a trabalhar a uma velocidade veloz, a par com centenas de outros cientistas por todo o mundo em universidades e laboratórios para reduzir o tempo necessário à comercialização de uma vacina – uma proeza que geralmente demora qualquer coisa como entre 10 a 15 anos.

A CanSino informou no mês passado que recebeu a aprovação do regulador chinês para iniciar testes em humanos com a sua vacina. A Moderna, com sede em Cambridge, Massachusetts – que nunca lançou um produto e que demorou pouco mais de dois meses a desenvolver uma potencial vacina – recebeu aprovação para os testes em humanos mesmo sem ter realizado primeiro o teste em animais; a Inovio está desde a semana passada a testar em seres humanos que se voluntariaram para estes testes clínicos.

Segundo a “Bloomberg”, o estudo da CanSino recorre a uma injeção experimental em 108 adultos, com idades entre os 18 e os 60 anos, portanto tanto em grupos saudáveis quanto nas primeiras idades de risco, a chamada “fase 2”. Na “fase 1” estabelece-se apenas a segurança da vacina num pequeno grupo de indivíduos saudáveis, para que os investigadores possam observar os potenciais efeitos secundários indesejáveis da vacina e também testar a capacidade do sistema imunitário de gerar defesas. As fases 2 e 3 testam a eficácia em grupos maiores, tal como já se está a passar no estudo da CanSino. Incluem pessoas em grupos de risco e administram-se em locais onde a doença está presente na comunidade.

FUMAR AJUDA O VÍRUS A CHEGAR AOS PULMÕES

Fumar faz mal à saúde e sabemos que prejudica principalmente a função pulmonar, que também é a que mais sofre quando o novo coronavírus penetra no nosso corpo. Um grupo de investigadores da Universidade de Vancouver, no Canadá, descobriu que quem fuma e quem tem doenças que obstruem os pulmões (relacionadas ou não com o fumo mas quase sempre exacerbadas por este hábito) tem níveis mais elevados da enzima ACE-2, que ajuda o vírus a entrar nas células que constituem os nossos pulmões, onde por sua vez ele se multiplica. A observação teve em conta o caso de Wuhan, na China, onde a pandemia começou e onde cerca de 50% dos homens fumam, sendo que a mortalidade é consideravelmente mais elevada entre o sexo masculino.

As amostras foram retiradas de 21 pacientes com doença obstrutiva crónica nos pulmões e de outras 21 sem esta condição. As enzimas ACE-2 foram encontradas em maior número no primeiro grupo, cujos elementos também eram fumadores. Depois, estes resultados foram comparados com mais dois estudos idênticos e as conclusões foram as mesmas.

Estas novas informações foram publicadas num estudo do European Respiratory Journal, na quinta-feira, e fazem parte de uma análise mais abrangente aos fatores de risco e às variações do nível de gravidade da covid-19 entre os vários doentes que a contraem. Obesidade, diabetes, pressão alta também voltaram a ser as doenças referidas como as que comportam mais risco para o paciente de covid-19.

O VÍRUS ESTÁ A CHEGAR AO CÉREBRO?

Não há estudos suficientemente abrangentes para ser possível afirmar algo tão sério, mas a pesquisa já está a ser feita no sentido de entender exatamente os limites dos itinerários possíveis deste vírus dentro do nosso corpo – ou se os há de todo. Primeiro começamos a ouvir falar de um vírus que provocava dores de cabeça, tosse, febre e outros sintomas parecidos com os da gripe. Depois a fadiga extrema e vómitos. Logo a seguir começaram a surgir relatos de pessoas que perderam totalmente o paladar e mesmo de algumas cujos cheiros estavam “trocados” (ou seja, uma pêra cheirava a rosas, por exemplo). Isto indica-nos que o novo coronavírus pode estar a dar os primeiros passos na exploração do nosso cérebro, mas os médicos ainda não estão preparados para assinar uma conclusão tão séria.

Um artigo no Medium, do ex-editor da revista “Live Science”, Robert Roy Britt, mostra que as provas são ainda demasiado ocasionais para merecerem sequer esse nome.

Alguns médicos citados falam de alguns pacientes “confusos” ou com outros sintomas coincidentes com um diagnóstico de inflamação no cérebro, mas nos estudos até agora conduzidos por vezes apenas uma pessoa no grupo de análise demonstrou tais sintomas, o que torna impossível qualquer conclusão.

Se a falta de ar, ou seja, se a oxigenação do cérebro falhar, alguns desses sintomas tornam-se mais comuns – e pode ser isso que está a criar confusão na classe médica e de investigação. “É bastante difícil separar essas duas possíveis explicações”, disse Chethan Rao, médico nesta batalha mas também neurocirurgião e professor de neurologia no Baylor College of Medicine Medical Center, a Britt. O que é possível que ambas as explicações sejam possíveis, e Rao diz que já viu pessoas totalmente saudáveis, a falar sem esforço, serem colocadas em máquinas de suporte à vida em quatro horas apenas.

Em março, um estudo publicado no Journal of Medical Virologyjá previa esta possibilidade, sublinhado que o SARS‐CoV‐2, tal como outros coronavírus, não se fixa sempre apenas no sistema respiratório e “também pode invadir o sistema nervoso central e causar doenças neurológicas”. Até agora apenas há um caso conhecido e documentado de ligação direta entre a covid-19 e alterações na função neurológica. Uma mulher com 58 anos do estado do Detroit começou por se queixar de febre e tosse mas também de alterações da função mental. Foi testada para o vírus comum da gripe (“influenza”, que pode deixar graves consequências neurológicas quando a infeção atinge níveis graves, o que está documentado) e o resultado foi negativo, mas tinha covid-19.

Os exames que fez depois desse diagnóstico mostram inchaços em várias partes do cérebro e os médicos acabaram por diagnosticar a mulher com uma complicação grave e rara “caracterizada por alteração da sanidade mental, convulsões e que pode levar a deficiências graves ou muito graves de todas as funções do corpo ou à morte”, lê-se no relatório dos médicos, que depois também explicaram o caso na revista médica “Radiology”.

POLUIÇÃO TAMBÉM PIORA ESTADO DO DOENTE

Uma maior concentração de poluição atmosférica pode aumentar a taxa de mortalidade por covid-19, pelo menos assim se verificou no Norte de Itália, um dos locais mais fustigados pela violência deste vírus, de acordo com um estudo publicado no Environmental Pollution na sexta-feira. A exposição continuada a algum tipo de poluição é, segundo os autores, uma parte importante na análise que tem de ser feita para entender porque é que a taxa de letalidade da doença nesta zona do país (12%), extremamente industrializada, é tão diferente da registada no resto de Itália (4,5%).

Expresso

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