Comissão Técnica avalia risco de contágio em Ndalatando

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Avaliação de risco de contágio e rastreio dos contactos dos três cidadãos diagnosticados com a Covid-19, em Ndalatando, constam das prioridades da Comissão Técnica do Ministério da Saúde (MINSA) que, desde quarta-feira, trabalha no Cuanza-Norte para mitigar o avanço da pandemia na região.

A referida comissão, coordenada pela chefe de secção do Departamento de Higiene e Vigilância Epidemiológica da Direcção Nacional de Saúde Pública, Angelina Fila, é composta por epidemiologistas, vigilantes, intensivistas, entre outros.

Até ao momento, 35 pessoas ligadas directamente aos três casos positivos da Covid-19 já estão em quarentena institucional e, desde ontem, estão a ser localizados os “contactos dos contactos” dos doentes.
A directora do Gabinete Provincial da Saúde, Filomena Wilson, referiu que os três pacientes já se encontram em Luanda para se determinar o vínculo epidemiológico.

Medidas de prevenção

A máscara é o único meio de biossegurança usado por moto-taxistas, zungueiras e sapateiros, em Ndalatando. O Jornal de Angola apurou que, desde o surgimento da Covid-19, tem estado a crescer o negócio do fabrico de máscaras caseiras.
Francisco Maurício, da Cooperativa de Alfaiates Marien Ngouabi, realçou que, por dia, vende entre 10 a 12 máscaras, ao preço de 300 kwanzas cada. “As máscaras estão na moda, durante estes dias a facturação está garantida”, disse.

Outra actividade que voltou à ribalta domingo passado, é a de moto-táxi.

O moto-taxista Lungue Bartolomeu, 29 anos, conta que, por ter paralisado a actividade durante dois meses, devido ao Estado de Emergência, comprou apenas máscara, não tendo mais dinheiro para adquirir o álcool em gel, que custa em média 2.000 kwanzas.
Joaquim Sebastião, outro moto-taxista, disse que, nesta fase, a maior parte dos clientes recusam-se a usar capacete, pelo facto de ser utilizado por vários utentes.

Dificuldades de aquisição de álcool em gel e luvas afecta também outros cidadãos. Antónia Correia, 32 anos, comerciante de peixe seco, queixou-se dos preços da luva (500 Kz) e do álcool em gel (1.500 Kz), na medida em que, diariamente, ganha apenas dois mil kwanzas.

A Covid-19 reduziu também o número de clientes de Gerónimo Sebastião, 70 anos, um dos sapateiros mais conhecidos de Ndalatando.

Sapateiro há 50 anos, Tio Gegé, como é tratado pelos mais próximos, disse que tem em posse mais de 50 obras já reparadas, que aguardam pelos proprietários. Actualmente, referiu, arrecada três mil kwanzas por dia, ao contrário dos oito mil que ganhava antes da pandemia. O ancião reconheceu que pode contrair a Covid-19 por reparar os sapatos sem luvas, mas diz que o que ganha só chega para o sustento dos quatro filhos.

Fonte:JA/LA

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