Combater o cancro com o próprio organismo. Primeira aprovação já foi dada

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Recorrer às células do próprio paciente oncológico para travar o cancro é uma ideia que há muito pairava na cabeça dos cientistas. As tentativas em prol da terapia genética (ou imunoterapia) foram mais do que muitas e surge, agora, aquela que é a primeira aprovação nesse sentido.

A Agência da Alimentação e do Medicamento dos Estados Unidos (FDA, em sigla inglesa) acabou de dar luz verde ao Kymriah, um fármaco produzido pela Novartis e que tem como função manipular as células do paciente, de forma a que as células ‘saudáveis’ sejam capazes de fazer frente (e as vezes) das células cancerígenas.

Para já, o Kymriah será usado na luta contra o tipo mais grave de leucemia, a leucemia linfoblástica aguda de células B, um dos tipos de cancro mais comuns em crianças e adolescentes. A possibilidade de uso para o tratamento de outros tipos de cancro (e em pacientes de outras faixas etárias) também está em cima da mesa.

De acordo com o The New York Times, esta terapia será, primeiramente, usada em crianças jovens até aos 25 anos, assumindo-se como a última alternativa quando nenhum outro tratamento se mostra eficaz. Um estudo levado recentemente a cabo por uma equipa de investigadores, incluindo o português Delfim Duarte, concluiu que células de leucemia, o cancro do sangue, “fogem” e resistem à quimioterapia porque movimentam-se de forma rápida na medula óssea, sem se fixar num sítio específico.

Apesar de esta nova terapia apresentar alguns efeitos secundários – como a queda drástica da pressão arterial -, a aprovação por parte da FDA é inédita e pode levar a uma mudança no rumo dos tratamentos contra o cancro, que cada vez mais se têm centrado na imunoterapia. Este ano, uma equipa de investigadores do Centro de Pesquisa para o Cancro Fred Hutchinson revelou que esta técnica pode ser eficaz noutros tipos de cancro, tendo realizado recentemente testes em ratos de laboratório e cujo resultado se mostrou bastante promissor.

Também em 2017 um estudo espanhol foi capaz de provar que a imunoterapia demonstrou ser mais eficaz do que a quimioterapia no tratamento do cancro da bexiga em estado avançado, naquele que foi o primeiro avanço médico neste tipo de tumor em 20 anos. Já em 2016, investigador do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa Bruno Silva Santos disse que o melanoma, o cancro do pulmão e do rim e as leucemias estão a ter resultados “muito promissores” aos tratamentos de imunoterapia.

O cancro é uma patologia do foro oncológico descrita como uma doença multifatorial que provoca a proliferação de células de forma anormal e a diminuição da apoptose.

Fonte: Lifestyle ao minuto/BA

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