Cinco pré-candidatos na corrida para a presidência da UNITA

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Até ao fecho desta edição, cinco pré-candidatos estavam perfilados para concorrer à liderança da UNITA, durante o XIII Congresso Ordinário do partido, que se realiza de 13 a 15 de Novembro.

Após Adalberto Costa Júnior, na última sexta-feira, ontem, último dia para o efeito, quatro aspirantes à sucessão de Isaías Samakuva formalizaram a sua intenção, junto da comissão de mandatos do próximo congresso. Trata-se do porta-voz do partido, Alcides Sakala, do antigo secretário-geral, Abílio Kamalata Numa, do deputado José Pedro Kachiungo e do actual vice-presidente, Raul Danda.

Alcides Sakala
Alcides Sakala Simões, diplomata de carreira, natural do Huambo e que completa 66 anos em Dezembro, é tido nos bastidores como o candidato da continuidade, pelo facto de a maior parte dos apoiantes fazer parte da direcção cessante. Mas o actual porta-voz da UNITA foi cauteloso quando questionado se Samakuva apoia a sua candidatura: “o presidente cessante tem encorajado todas as candidaturas. É um papel que ele faz bem, nesta perspectiva de procurar encorajar esse processo interno democrático”, disse.
Ao lembrar a sua trajectória de “muitas décadas” na UNITA, Sakala afirmou que concorre com o “espírito de missão”. “Conheço o partido, os quadros e as potencialidades. É nesta ideia que vamos procurar consolidar o que já foi feito durante este mandato do presidente Samakuva e perspectivar os grandes desafios que temos à nossa frente, que são as eleições autárquicas, previstas para o próximo ano e as gerais de 2022, onde esperamos por mudanças profundas no contexto da alternância do poder”, esclareceu o pré-candidato, formado em Ciências Políticas e Relações Internacionais.

Kamalata Numa
De 64 anos e natural do município do Cubal, província de Benguela, Abílio Kamalata Numa volta a candidatar-se à presidência da UNITA, de-pois de, no último congresso, ter sido derrotado por Isaías Samakuva.
General na reserva e um dos fundadores das Forças Armadas Angolanas (FAA), juntamente com o general João Baptista de Matos, Kamalata Numa faz mais uma tentativa para liderar a UNITA, desta vez sem Samakuva, a quem constantemente criticava a gestão.
Acompanhado por 78 apoiantes, durante a formalização da candidatura, Abílio Kamalata Numa manifestou o desejo de transformar a UNITA num “partido pan-africano e moderno”. Essa transformação, sublinhou, passa, igualmente, pela capacitação do partido para ganhar as próximas eleições gerais, em 2022, e estabelecer assim, uma “nova ordem para Angola”.
Entre todos os pré-candidatos, Kamalata Numa, que já foi secretário-geral do partido num dos quatro mandatos de Samakuva, considera-se o que melhor está preparado para o cargo. “Fiz uma trajectória nas instituições do Estado (referência à passagem pelas FAA e Assembleia Nacional), uma larga experiência política e, desde cedo, sempre percebi que há coisas que podiam contribuir para melhor alavancar a UNITA para um patamar que todos têm esperado e sinto que posso fazê-lo”, disse.

José Pedro Kachiungo, outro pré-candidato, propõe-se a injectar na UNITA uma “visão e dinâmica jovem”. A ideia, disse, é ter uma juventude lúcida e determinada.
“A juventude é chamada agora a aplicar a sua inteligência com humildade e determinação”, defendeu, ontem, o jovem político, que se prepara para concorrer pela segunda vez ao cargo de presidente da UNITA, depois de ter concorrido no Congresso de 2011, em que foi derrotado por Samakuva.
Estêvão José Pedro Kachiungo, natural do município de Kachiungo, província do Huambo, onde nasceu há 51 anos, é o mais novo entre os pré-candidatos. Formou-se em Engenharia Geológica, fez uma segunda licenciatura em Ciências Políticas e tem, também, mestrado em Administração Pública.

Raul Danda
Depois de muitas incertezas, Raul Danda decidiu, finalmente, formalizar a candidatura à liderança do partido, numa disputa que se prevê renhida, a julgar pelo perfil dos concorrentes.
De 62 anos e natural de Cabinda, Raul Danda licenciou-se em Gestão de Empresas, mas notabilizou-se como jornalista da Vorgan (então rádio da UNITA) e, posteriormente, da Rádio Nacional de Angola, onde era locutor. Actualmente, além de vice-presidente da UNITA, é deputado à Assembleia Nacional, onde já foi líder do grupo parlamentar do seu partido.
Após à formalização da candidatura, Danda afirmou que a mesma se pauta por aquilo que são os princípios da UNITA, que passam, essencialmente, pela realização do bem-estar da população. O político acredita que, comparativamente aos outros pré-candidatos, parte em vanta-
gem, justificando a sua afirmação com o seu estatuto de vice-presidente.

Desistência de Chiyaka
Liberty Chiyaka, também deputado e secretário provincial da UNITA no Huam-bo, que anteriormente havia anunciado a intenção de concorrer, desistiu da intenção, com a justificação de que há várias coincidências de pontos de vista com outros potenciais candidatos.
“Achei que devia recuar no meu propósito (…). Somos todos actores e estaremos em condições de contribuir para o engrandecimento da UNITA”, disse o jovem político, de 44 anos, natural do Huambo, que prometeu anunciar, nos próximos dias, o candidato a quem vai apoiar. Chiyaka sublinhou que, de momento, não há ainda candidatos como tal, mas apenas pré-candidatos.
Apresentadas as pré-candidaturas, a comissão de mandatos do XIII Congresso Ordinário da UNITA tem três dias para conferir a conformidade das mesmas, para, na sexta-feira, anunciar as que reúnem as condições para concorrer.
Ainda ontem, havia a indicação de que o deputado Lukamba Paulo “Gato” também formalizaria a candidatura, mas a comissão de mandatos não tinha sido notificada. Já pela noite, Gato distribuiu uma declaração em que toma a decisão de apenas ser eleitor no congresso.

TPA com JA/LD

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