Cento e oitenta mulheres operadas a fístula obstetrícia

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Cento e oitenta mulheres foram operadas a fístula obstétrica, desde abertura do novo bloco operatório, em 2018, na Maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, de acordo com a directora daquela unidade hospitalar.
A fístula obstétrica é uma ruptura no canal vaginal que causa incontinência e leva à exclusão social de milhares de mulheres. As suas principais causas são partos prolongados e obstruídos, especialmente em zonas onde o acesso a cuidados obstétricos é restrito.
Uma das causas da doença prende-se com o parto prolongado, parto não seguro realizado em casa e sem assistência qualificada. Outras causas relacionadas têm a ver com a violência sexual, complicações cirúrgicas, tumores, linfogranuloma venéreo, cálculos na vesícula e radioterapia.
A perda constante de urina causa mau cheiro, o que origina um desconforto a quem padece da doença e, em muito casos, os doentes, devido ao mau cheiro, também são vítimas de estigma.
O bloco operatório da Maternidade Lucrécia Paim conta com cinco salas de cirurgias e uma capacidade para dez camas. A directora da maternidade Lucrécia Paím, Manuela Mendes, que falava à Angop em alusão ao 1º aniversário do bloco operatório de fístula obstetrícia, as mulheres têm ganho a sua dignidade, fruto do esforço do Executivo em garantir assistência sanitária adequada aos pacientes.
O cirurgião Geram Paulo Parimbele, afirmou que, do ponto de vista social, é uma tragédia, pois, além de estar nesta situação, são abandonadas pelos maridos e outros familiares. O especialista apela as mulheres que se encontrarem nesta situação a se dirigirem a maternidade a fim de serem tratadas. “A perda durável de urina ou fezes causa mau cheiro, o que origina um desconforto a quem padece da doença e, em muito casos, os doentes devido ao mau cheiro também são vítimas de estigma”, explicou.
Causas da fístula
Segundo definições de especialistas, as causas da doença resultam de partos prolongados realizados em casa e sem assistência qualificada, violência sexual, complicações cirúrgicas, tumores, linfogranuloma venéreo, cálculos na vesícula e radioterapia.
Geralmente, todas as ocorrências de fístula obstétrica resultam de partos obstruídos. Em regiões remotas, onde há poucos hospitais e parteiras e os cuidados obstétricos são raros. 
As complicações podem prolongar o parto por dias. Sem acesso à cesarianas de emergência, essas complicações podem ser fatais. No entanto, se a mulher sobrevive ao parto, podem ocorrer ferimentos permanentes no canal de parto. Sintomas
Devido à abertura anormal criada para a bexiga ou para o reto, uma mulher com fístula sofre de constante incontinência urinária e fecal. Os fluidos causam um odor desagradável e podem causar ulcerações ou queimaduras nas pernas. Em face disso, as mulheres reduzem a ingestão de líquidos, para tentar reduzir o fluxo de urina, o que pode resultar em doença renal ou pedras nos rins. As mulheres com fístulas obstétricas desenvolvem transtornos psicológicos, na maior parte dos casos. Devido aos sintomas físicos, elas são excluídas pela comunidade e, às vezes, abandonadas por seus maridos.
Prevenção
Segundo especialistas, a prevenção passa pelo treinamento de parteiras locais, vulgo parteiras tradicionais, para ajudarem as mães a terem partos seguros. Elas podem avaliar se uma mãe está a ter dificuldades para dar à luz e buscar, antecipadamente, ajuda.
Tratamento
De acordo com dados dos Médicos Sem Fronteiras, com cuidados obstétricos de qualidade as fístulas podem ser prevenidas. Em alguns casos, um reparo cirúrgico simples pode levar apenas 45 minutos, mas muitas das ocorrências são mais complexas e requerem diversos procedimentos cirúrgicos com médicos altamente qualificados.
Mulheres que já tiveram a fístula obstétrica reparada podem voltar dar à luz crianças saudáveis, desde que recebam cuidados adequados, durante a gravidez.

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