Burundi: Descobertas valas comuns com mais de 6 mil corpos cravejados de balas

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O Governo do Burundi lançou em Janeiro um vasto programa de escavações em todo o país para por a descoberto as centenas de valas comuns que se desconfiava existirem em resultado de décadas de guerra civil e massacres de natureza étnica, tendo feito nos últimos dias a mais brutal das descobertas até agora.

São mais de 6 mil corpos de homens, mulheres e crianças cravejados de balas em seis valas comuns encontradas na província de Karusi, no nordeste do país, explicou ao The Guardian Pierre Claver Ndayicariye, que lidera a Comissão de Verdade e Reconciliação do Burundi.

Este responsável avançou que alguns dos corpos puderam ser identificados devido aos restos de roupas, óculos e alguns objectos encontrados ao lado dos corpos e de milhares de balas depositadas nestas valas comuns, que são a prova evidente do terror que vingou neste país durante as últimas décadas.

O Burundi viveu uma devastadora guerra civil entre 1993 e 2005 devido à conflitualidade étnica opondo Hutus, a maioria da população, e Tutsis, a classe dominante em matéria de governação e gestão do país.

São conhecidos relatos de massacres esporádicos de origem étnica após o fim do conflito, que recorreu a milhares de crianças-soldados, sendo a contabilidade trágica estimada em mais de 300 mil mortos.

Os conflitos foram despoletados com a realização, em 1993, das primeiras eleições “democráticas” no país após a sua independência da Bélgica, em 1962,

Recorde-se que, em 1994, o vizinho Ruanda, igualmente dominado por estas duas etnias, foi palco do mais violento genocídio em décadas no continente, quando, em escassos meses, a maioria Hutu massacrou mais de 800 mil tutsis, também considerada a elite governativa no país.

Em ambos os países, o poder colonial adoptou a dominação étnica tutsi, que sempre governou estes territórios via poder monárquico, tendo esta dominação sido mantida durante décadas por regimes militares após as independências, até que em meados da década de 1990 surgiram as revoltas hútus.

Porém, nestas escavações não foram apenas encontrados valas comuns com tutsis, pelo menos numa a maioria dos cadáveres são de hútus, o que demonstra a natureza tribal desta prolongada guerra civil.

A Comissão de Verdade e Reconciliação do Burundi foi criada em 2014 incumbida de investigar as atrocidades cometidas por ambos os grupos étnicos durante desde 1885, embora incidindo com maior destaque nos anos de guerra civil – 1993/2005 – e posteriores, até 2008, ano em que foi assinado um acordo de paz que determinou oficialmente o fim da guerra.

Até ao momento foram descobertas mais de 4.000 valas comuns no país, nas quais estavam cerca de 140 mil corpos, sendo estas seis últimas das que mais cadáveres tinham depositados, com sinais evidentes da brutalidade que vigorou no país.

Fonte: NOVO JORNAL/BA

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