Burkina Faso aprova lei que permite armar civis na luta contra terrorismo

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Esta é uma decisão que visa também superar as perdas de soldados em ataques crescentes na África Ocidental.
A estratégia não é, porém, isenta de riscos. Os militares do Burkina Faso têm sido criticados por assassínios praticados em ações de combate ao extremismo islâmico, e a colocação de armas nas mãos de civis que não estão minimamente treinados poderia levar a mais abusos dos direitos humanos, advertem os observadores.
O ministro da Defesa, Cheriff Sy, disse esta semana que todos os civis recrutados passarão por duas semanas de treino, numa formação que vai desde aprender a usar armas até questões de disciplina.
“Não se trata de uma questão de fazer carne para canhão”, afirmou Cheriff Sy.
Pelo contrário, é preciso “evitar que estes voluntários se tornem milícias”, referiu ainda.
Os voluntários devem ter 18 anos de idade e serão submetidos a uma “avaliação moral” antes de poderem servir, adiantou o ministro.
O governante explicou na altura que aos voluntários civis serão atribuídos alguns subsídios para a desmobilização, num esforço de ajuda à sua futura reintegração.
Os feridos beneficiarão de toda a assistência e benefícios enquanto estiverem ao serviço das Forças Armadas, acrescentou.
Os militares do Burkina Faso, com o treino e o apoio da França e dos Estados Unidos, têm lutado para conter a propagação do extremismo.
O ministro da Defesa disse que o uso de voluntários civis permitirá às Forças Armadas lançarem uma rede mais ampla de combate ao extremismo e reconheceu que havia falta de pessoal.
“Sim, estamos com falta de pessoas”, afirmou.
Durante anos, o Burkina Faso foi poupado ao extremismo islâmico que atingiu os países vizinhos Níger e Mali, onde foi necessária uma intervenção militar liderada pela França, em 2013, para retirar os ‘jihadistas’ do poder em várias cidades importantes.
Porém, em janeiro de 2016, tornou-se também um alvo, com um primeiro ataque na capital, Ouagadougou, que matou pelo menos 30 pessoas num café popular entre cidadãos estrangeiros. No ano seguinte, 18 pessoas foram mortas num restaurante turco na capital do Burkina Faso.
As mortes por ataques aumentaram drasticamente nos últimos anos, de cerca de 80 em 2016 para mais de 1.800 em 2019, de acordo com as Nações Unidas.
Os militares do Burkina Faso têm sido criticados por cometerem abusos na repressão e combate ao terrorismo e extremismo.
A Human Rights Watch disse, no ano passado, que mais de 150 homens – a maioria pastores da etnia peuhl – tinham sido mortos pelas forças de segurança do Burkina Faso, depois de serem acusados de apoiarem ou abrigarem extremistas islâmicos.
Tais assassínios pelas forças de segurança apenas aumentaram as fileiras dos ‘jihadistas’, de acordo com ativistas.

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