Bruxelas promete ajuda no combate ao terrorismo

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, prometeu, em Addis Abeba, mais apoio da União Europeia (UE) aos países africanos na luta contra o terrorismo, noticiou, hoje, a agência Reuters.

A chefe do Executivo comunitário europeu assumiu, em declarações à imprensa, o compromisso de apoiar os desafios comuns da paz, imigração, revolução digital e emergência climática.
A responsável da Comissão Europeia defendeu, em conferência de imprensa, “uma forma prudente e respeitadora” de apoio por parte da Europa. “São os países africanos que sabem melhor quem são os terroristas e onde operam”, acrescentou, adiantando que a cooperação se centrará em áreas como a capacitação de forças militares, troca de informações e vigilância.
África enfrenta a actuação de grupos jihadistas como o al-Shabab, na Somália, ou o Boko Haram, na Nigéria, que ameaçam também os países vizinhos. “A União Europeia foi o maior investidor na paz e na segurança em África com uma contribuição de mais de três mil milhões de euros”, durante os últimos 15 anos, apontou, por seu lado, Moussa Faki Mahamat.
Ainda durante a conferência de imprensa, Ursula Von der Leyen rejeitou a ideia de que a UA se deve adaptar à União Europeia. “Não devemos esperar que a União Africana se adapte à União Europeia. Uma verdadeira parceria é explorar possibilidades em conjunto”, afirmou. As declarações da presidente da Comissão Europeia surgem depois de o presidente da Comissão Africana, Moussa Faki Mahamat, ter sublinhado, no início do encontro, as diferenças que persistem entre africanos e europeus em questões como a Justiça internacional, a pena de morte ou os direitos dos homossexuais. “Há diferenças e é importante marcá-las e discuti-las. Essa é a essência de uma boa parceria, construímos a partir de projectos sobre os quais conseguimos concordar e marcamos claramente quais são as nossas diferenças, tentando convencer-nos mutuamente”, disse der Leyen
A presidente da Comissão Europeia sublinhou que, para a Europa, é decisiva a clareza sobre questões como a dignidade do ser humano, os direitos humanos e a diversidade. “Para nós é muito importante ser claro nestes assuntos, mas respeitamos posições diferentes. Tentamos convencer, mas registamos que há posições diferentes”, sublinhou.
O aprofundamento das relações de comércio e de investimento privado e a luta contra as alterações climáticas foram apontados por Ursula Von der Leyen como os tópicos em que existe entendimento entre os dois blocos. />Ursula Von der Leyen manifestou a intenção da União Europeia aproveitar o Tratado de Livre Comércio em África (AFCFTA), que deverá criar a maior zona de comércio livre do mundo com 1.200 milhões de consumidores e gerar um Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4 mil milhões de dólares.
“A UE é o maior investidor e parceiro comercial de África e queremos que isso se mantenha”, vincou. Ursula Von der Leyen liderou, em Addis Abeba, “a maior delegação de sempre da UE ao estrangeiro”, segundo as suas próprias palavras, sendo acompanhada pelo alto representante para a política externa da UE, Josep Borrell, e outros 20 comissários europeus.
Os dois blocos realizam, em Outubro, em Bruxelas, uma cimeira de Chefes de Estado e de Governo, devendo, até essa data, ser apresentada a nova estratégia da UE para África. “Europa e África são dois aliados. Temos um vínculo histórico e partilhamos muitos desafios actuais”, resumiu Von der Leyen.
Intervenção da ONU
O Conselho de Segurança das Nações Unidas instou a comunidade internacional a mobilizar-se “para fortalecer a capacidade dos países africanos” no combate ao terrorismo e às milícias radicais, numa declaração conjunta aprovada por unanimidade na sexta-feira e que só agora foi tornada pública, noticiou a Lusa. Esta declaração do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovada enquanto os Estados Unidos – um dos membros permanentes deste órgão – estão a considerar uma retirada do seu contingente da região do Sahel, pede, em particular, “a partilha de informações”.
No documento, citado pela agência France Press, este órgão da ONU realça a importância da “contribuição para a paz e a segurança” naquela região, através de “iniciativas de segurança em África, em particular da Força Conjunta do Grupo dos Cinco Países (G5) do Sahel e da Força Multinacional”.
O G5 do Sahel é constituído pelo Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger.
Na passada terça-feira, um oficial militar dos Estados Unidos disse que as operações europeias contra grupos ‘jihadistas’ naquela região africana não eram suficientes.
O líder do Comando americano para África, o general Stephen Townsend, sublinhou que “a Europa pode e deve fazer mais antes de os Estados Unidos fazerem mais nesta parte do mundo”.

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