Brasileiros manifestam-se após Bolsonaro “esconder” a epidemia

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A esplanada dos ministérios, em Brasília, foi este domingo palco de uma manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro, uma vez mais comparado a Hitler em cartazes dos opositores, mas também numa citação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, no editorial do Financial Times.

Jair Bolsonaro, entretanto, ameaçou seguir os passos de Donald Trump no atrito com a Organização Mundial de Saúde, de quem tem discordado recorrentemente na gestão da epidemia do novo coronavírus, em especial sobre o uso de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

“Os Estados Unidos saíram da OMS e nós estamos a estudar fazer o mesmo no futuro. Ou a OMS trabalha sem desvios ideológicos ou nós vamos air também. Não precisamos de ninguém de fora a dar palpites sobre a saúde aqui dentro”, afirmou o Presidente do Brasil, na noite de sexta-feira, junto ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Como exemplo dos desvios da organização de saúde afeta à ONU, Bolsonaro lembrou que “há poucos dias a OMS recomendou não prosseguir mais com os estudos sobre a hidroxicloroquina e agora voltou atrás”, o que sucedeu após um estudo publico na revista médica The Lancet alegando perigo de vida no uso do medicamente ter sido retratado.

Este domingo, o protesto contra Bolsonaro em Brasília associou-se ao movimento “Black Lives Matter” (“A Vida dos Negros Importa”), pediu justiça igual para todos no Brasil, apelou ao respeito pelas mulheres e aos valores democráticos, e alguns cartazes faziam referência a um “estado genocida”.

Como já é habitual ao domingo, o presidente voltou a ter apoiantes junto do Palácio do Planalto, mas desta vez também no Rio de Janeiro, onde correu a apelidada “Marcha da Família, pró-Bolsonaro, com Deus.”

Não há registo de ter havido confrontos entre elementos das fações opostas.

De acordo com a contagem diria de mortes e infeções que continua a ser diovulgada, o Brasil soma mais de 35 mil mortos com Covid-19, incluídos em 646 mil casos de infeção confirmados, o que o torna no segundo país do mundo com maior presença do novo coronavírus, só atrás dos EUA.

O portal G1, da Globo, tem vindo, no entanto, a compilar os dados da pandemia junto das secretarias estaduais de Saúde e sugere que os números de vítimas são mais elevados, mais de 36 mil mortes registadas em quase 680 mil infeções diagnosticadas.

Fonte: Euronews/BA

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