BPC prevê despedir 1.600 trabalhadores

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O Banco de Poupança e Crédito (BPC) vai despedir 1.600 dos 4.820 trabalhadores até 2022, no quadro do Plano de Recapitalização e Reestruturação.

O presidente de Conselho de Administração do BPC, António André Lopes, disse, nesta quinta-feira, em conferência de imprensa, que o plano prevê igualmente o encerramento de 60 agências bancárias, de modo a tornar a estrutura comercial mais sustentável de acordo com o seu papel.

Para o efeito, o banco tem preparado um valor de mais 18 mil milhões de kwanzas para indemnização dos funcionários, de acordo com a Lei Geral de Trabalho, acrescido de um prémio.

Preocupado com a integração destes trabalhadores na vida económica, o banco vai patrocinar duas formações técnico-profissionais, para além da cedência de um crédito para o desenvolvimento de um negócio no quadro da formação, para que o funcionário não fique desamparado.

Entre estes funcionários constam também os reformados e aqueles que serão incentivados a solicitar reforma antecipada.

Plano para saída da crise

O responsável informou que, para além desta medida, o banco, a viver uma crise crónica de liquidez, definiu uma recapitalização avaliada em 748,3 mil milhões de kwanzas, no período de 2020 a 2022.

De acordo com André Lopes, o resultado líquido da instituição financeira atingiu um valor negativo de 404,7 mil milhões de kwanzas até Dezembro de 2019, decorrente de resultados inadequados da sua operacionalização ao longo dos últimos quatros anos.

Para este ano, no quadro do Plano de Recapitalização e Reestruturação, o Ministério das Finanças disponibilizou já 163,7 mil milhões de kwanzas em títulos, enquanto o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) vai disponibilizar, nos próximos dias, 396 mil milhões, sendo 15 mil milhões em numerário e o restante em títulos.

Dentro destes esforços, afirmou, foi materializada, na terça-feira última, outra medida, concretizado com a cedência de 80% do crédito malparado do BPC à Recredit, avaliado em 951 mil milhões de kwanzas, por justo valor de 57,1 mil milhões de kwanzas.

Durante a conferência de imprensa, o presidente do Conselho de Administração do BPC falou também do reforço do sistema de segurança e informação que permitiu inviabilizar, na totalidade, o roubo do 434 milhões de kwanzas, em Abril último.

A propósito, referiu que 133 milhões deste montante não chegaram a sair do banco. Do valor transferido pelos autores da fraude, já identificados, 165 milhões foram bloqueados nos bancos onde foram encaminhados.

O Estado é accionista do BPC, através do Ministério das Finanças (75 por cento), do Instituto Nacional Segurança Social (15) e da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (10).

Com a recapitalização, a estrutura accionista altera, com o Ministério das Finanças a deter apenas 53,3%, o IGAPE, novo accionista, 37,3%, o Instituto Nacional de Segurança Social e Caixa Social da FAA reduzem as suas participações para 5,6% e 5,3%, respectivamente.

Angop

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