Basquetebol: Novela com Will Voigt ganha novos contornos

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A novela em torno da dívida de alegadamente um milhão e meio de dólares contraída pela Federação Angolana de Basquetebol (FAB) com o técnico da Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol, o norte-americano William Bryant Voigt, e os seus adjuntos, ganhou, na terça-feira, novos contornos com o Comunicado de Imprensa emitido pela assessoria do presidente cessante daquela instituição, Hélder Martins da Cruz “Maneda”.

No ponto quatro do referido documento, a assessoria do dirigente demissionário evoca: “compete à Comissão de Gestão resolver a situação do seleccionador nacional e não ao presidente cessante que ao abrigo da Lei e dos Estatutos da FAB já não tem legitimidade de praticar quaisquer actos em nome da instituição, sem prejuízo de este emprestar a sua humilde contribuição e prestar os devidos esclarecimentos à volta do tema em causa na busca de soluções que preservem a imagem e o prestígio alcançado pelo nosso basquetebol a nível nacional e internacional”. 

A terminar, lê-se: “cuidemos do interesse comum e que nos une em detrimento das questões de natureza subjectiva e que nos separam, colocando de lado o orgulho e protagonismo pessoal para o bem único e exclusivo do basquetebol angolano”.  A polémica subiu de tom após Will Voigt ter apresentado queixa ao Tribunal Arbitral do Desporto, e diz tê-lo feito por falta de resposta da Comissão de Gestão ad-hoc liderada por Gustavo da Conceição, a quem afirma ter enviado mensagens por telefone. 
Uma das propostas apresentadas pelo seleccionador, evocando o momento delicado económico-financeiro que o país atravessa, era da Federação liquidar a dívida em cinco tranches.

Federação não vai negociar

Em reacção, Gustavo da Conceição disse à Televisão Pública de Angola (TPA): “A FAB não vai negociar com o senhor Voigt enquanto não retirar a queixa em tribunal”. O mês passado, no programa “Grande Entrevista”, da estação pública de televisão, o responsável considerou catastrófica a situação financeira daquela instituição. Segundo este, além do montante em dívida em dólares, existe outra correspondente a 300 milhões de kwanzas. 
Na ocasião, Gustavo da Conceição explicou que a FAB deve salários aos funcionários,atletas e treinadores que estiveram ao serviço das selecções nacionais, bem como ao ex-presidente da Federação, Hélder Cruz. 
“A situação da Federação Angolana de Basquetebol é catastrófica porque do ponto de vista financeiro está praticamente a zero. A Comissão de Gestão encontrou um montante de dívidas declaradas insustentáveis”, disse.

Recurso jurídico não está descartado

A possibilidade de Hélder Martins da Cruz “Maneda” ser chamado a responder em juízo não está posta de parte caso se constate ter havido gestão danosa no período em que esteve à frente dos destinos da FAB. 
Contactado pelo Jornal de Angola, o jurista e advogado especialista em direito desportivo, Egas Viegas, disse: “é importante salientar que se a comissão verificar ter havido actos de gestão danosa da anterior direcção, pode accionar os mecanismos jurídicos ao dispor de forma a responsabilizá-lo civil, penal, disciplinar e desportivamente”. 
Quanto à elaboração do documento do ponto de vista jurídico, o jurista salientou o facto de “está bem escrito”. Prosseguindo, frisou o facto de “a assinatura do contrato desportivo de trabalho foi feito com a Federação e não com a pessoa do antigo presidente”, concluiu. 
A 23 de Junho, caso não se registasse a propagação da Covid-19, e a suspensão da actividade desportiva, Angola disputaria na cidade de Kaunas, Lituânia, o Torneio Pré-Olímpico qualificativo aos Jogos Olímpicos de Tóquio’2020. 
A Selecção Nacional, integrante do Grupo B, tinha a estreia marcada frente à Polónia, no Pavilhão Zalgirio. No dia seguinte, o adversário seria a Eslovénia. 
Angola estreou-se em Jogos Olímpicos em 1992, em Barcelona, Espanha. Em 1996, esteve em Atlanta (Estados Unidos), 2000 em Sidney (Austrália), 2004 em Atenas (Grécia) e 2008 em Pequim (China).
Fonte: Jornal de Angola/BA

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