Ataque aéreo a escola militar mata 42 pessoas em Tripoli

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42 pessoas morreram, ontem, (sábado), num bombardeamento atribuído a forças comandadas pelo marechal Khalifa Haftar, homem forte da Líbia, a uma escola militar em Tripoli, disseram fontes militares citadas pela agência Efe.

Segundo as fontes, o bombardeamento aconteceu ao início da noite na zona de Juhba.
“Há mortos por todo o lado e muitos feridos. Pedimos à população que ajude, são necessários dadores de sangue”, disse uma fonte médica citada pela mesma agência de notícias.
Minutos depois do ataque, aviões de combate cedidos pelos Emirados Árabes Unidos às forças de Haftar também bombardearam a base aérea de Maitiga, único aeroporto em funcionamento da capital líbia, cercado por militares desde 4 de Abril.
Os confrontos armados entre o LNA e as milícias próximas do Governo apoiado pela ONU em Tripoli (GNA) aumentaram de intensidade nos últimos dias, com duros combates à volta do antigo aeroporto internacional da capital, desactivado desde 2014 mas de grande valor estratégico para a conquista da cidade.
Segundo o Governo, na semana passada as suas milícias causaram 10 baixas às forças inimigas e destruíram uma dezena de carros blindados, “quatro deles dos Emirados Árabes Unidos”.
Além do apoio aéreo dos Emirados Árabes Unidos, Haftar tem o apoio político, militar e económico da Arábia Saudita, Rússia e França, enquanto que o Governo reconhecido pela ONU é apoiado pelo Qatar e pela Turquia, país que aprovou a semana passada o envio de mais tropas para Tripoli.
Segundo dados da Missão da ONU na Líbia, UNSMIL, e do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, 283 civis morreram e mais de 360 ficaram feridos na Líbia durante os combates travados em 2019.

Governo pede ajuda internacional
Para fazer face a esta situação, o Governo apelou, ontem, às potências internacionais e regionais para adoptarem uma posição clara em relação aos ataques à capital, Tripoli, liderados pelo general Khalifa Haftar.
Segundo o canal de televisão líbio Al-Ahrar, citado pela Efe, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Taher Siala, explicou que a crise no país é resultado dos ataques das forças de Haftar a Tripoli e da luta do Exército governamental contra o grupo terrorista Daesh.
O diplomata considerou que o Governo de entendimento é o único e legítimo representante do povo líbio, daí que as potências internacionais e regionais devem apoiar o Governo, acrescentando que os ataques de Haftar dificultam o estabelecimento de uma estrutura de Estado estável e democrática.
Em Abril, as forças que prometeram lealdade ao comandante do leste da Líbia, general Khalifa Haftar, lançaram uma campanha militar para tomar o controlo de Tripoli, mas até ao momento não conseguiram avançar para além da periferia da cidade.
Dias antes, o marechal Khalifa Haftar tinha apelado à “mobilização geral” de toda a população para defender “a honra” do país contra uma eventual intervenção militar da Turquia. “Aceitámos o desafio e declaramos a ‘jihad’ (guerra santa) e a mobilização geral”, afirmou Haftar, durante um discurso transmitido pela estação televisiva al-Hadath, que apoia a causa do marechal líbio, citado pela agência France Presse.
Khalifa Haftar exortou todos os líbios a pegar em armas para defender a “honra” do país, apelando também para que se coloquem “as diferenças de lado”.
Depois da União Africana se ter pronunciado sobre esta situação, ontem o vice-porta-voz do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, declarou que qualquer apoio externo às partes em conflito na Líbia só agravará o conflito.
Haq disse que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alerta que a contínua violação do embargo de armas imposto pela resolução 1970 do Conselho de Segurança da ONU apenas agrava a situação.
“O Secretário-Geral pede novamente o cessar-fogo imediato na Líbia e a retomada do diálogo político. Qualquer apoio externo às partes em conflito agravaria ainda mais o conflito e dificultaria a solução política e pacífica”, diz o comunicado.
Para Guterres, a estrita observância do embargo de armas é extremamente importante para criar condições favoráveis que levem à interrupção das hostilidades na Líbia.

Fonte: JA/BA

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