As duas coreias estão em guerra há 70 anos e parecem não querer a paz

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A 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte, apoiada pela União Soviética e pela China, invadiu a Coreia do Sul, que resistiu, apoiada pelos Estados Unidos, em pleno espírito de Guerra Fria, num conflito armado aberto que durou até 27 de julho de 1953, quando foi assinado um armistício, que criou uma zona desmilitarizada e permitiu trocas de prisioneiros.

Mas o armistício nunca levou a um acordo de paz e, 70 anos depois, as duas coreias continuam tecnicamente em guerra, mantendo declarações provocatórias mútuas e ações violentas que não ocultam a animosidade entre os dois regimes ideologicamente distintos.

Pelo contrário, como reação a uma série de sanções impostas pelas Nações Unidas, em 11 de março de 2013, a Coreia do Norte decretou nulo o armistício de 1953 e intensificou as ações de hostilidade contra o regime de Seul.

Em 2018, as duas Coreias pareciam querer encontrar uma solução para o impasse, com uma cimeira entre os seus líderes, na zona desmilitarizada, sob o patrocínio do Presidente norte-americano, Donald Trump, que se esforçou por tentar um tratado de paz e um acordo de desnuclearização para a península coreana.

Duas cimeiras entre Donald Trump e Kim Jong-un (em junho de 2018 e em fevereiro de 2019) aumentaram ainda mais as esperanças num entendimento entre as duas Coreias, com o Presidente norte-americano a declarar, na véspera do segundo encontro, que estava esperançado na suspensão dos testes nucleares de Pyongyang e na pacificação da península coreana.

Contudo, essa segunda cimeira foi encurtada e a Casa Branca anunciou que não tinha sido alcançado qualquer progresso, com a Coreia do Sul a lamentar a suspensão das negociações e a relevar a necessidade de mais aproximação diplomática com a Coreia do Norte.

Em resposta, em junho de 2019, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, deslocou-se à zona desmilitarizada, para apresentar as condolências pela morte de uma ex-primeira-dama da Coreia do Sul, num gesto entendido como sinal de boa vontade e tentativa de avanço no processo de paz.

Mas, desde então, têm-se multiplicado as ações hostis por parte da Coreia do Norte, que subiram de intensidade nos últimos meses, culminando com ameaça de Pyongyang de encerrar o gabinete de ligação com a Coreia do Sul, no início de junho deste ano.

A Coreia do Norte prometeu cortar todos os canais de comunicação, nomeadamente militares, com o Sul, e fechar permanentemente um posto de ligação na cidade fronteiriça de Kaeson.

Num tom radicalmente diferente daquele com que se tinha dirigido a Seul, em junho de 2019, Kim Yo Jong ameaçou este mês realizar ações militares contra a Coreia do Sul, como forma de retaliação pelo lançamento de folhetos de propaganda a partir da zona fronteiriça.

Num comunicado, Kim Yo Jong revelava que a Coreia do Norte tinha recusado uma proposta do Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para enviar representantes especiais a Pyongyang para reduzir as animosidades.

Apesar de a Coreia do Sul ter dito que iria apresentar queixa contra dois grupos de ativistas que lançavam esses folhetos, o regime norte-coreano continuou com o tom de ameaças e, na passada semana, destruíram o escritório de ligação entre os dois países.

Logo de seguida, Pyongyang anunciou a deslocação de tropas para a fronteira, obrigado a Coreia do Sul a responder de forma dura, criticando “a falta de etiqueta” da diplomacia norte-coreana.

“Não vamos tolerar mais essa retórica”, disse o porta-voz do Presidente da Coreia do Sul, Yoon Do-han, referindo-se às mensagens da irmã do líder da Coreia do Norte, terminando com os diálogos de aproximação diplomática e dando a entender que o conflito que dura há sete décadas pode prolongar-se por mais tempo.

Fonte: NM/BA

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