Angolano actua hoje em adaptação cénica

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O artista angolano Nelson Gonçalves “Nylon” é um dos actores que integra a peça “Antes do Mar”, levada à cena hoje, às 20h00, em Lisboa, pelo grupo de teatro O Bando, em estreia.

O actor informou, ontem, ao Jornal de Angola, que a peça é exibida ao ar livre, em Vale dos Barris, e é uma adaptação do romance “Um Bailarino na Batalha”, da escritora portuguesa Hélia Correia, vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2019.

“Nesse momento estou a trabalhar com o grupo O Bando, uma companhia portuguesa que conheço há 6 anos, quando estive cá para uma formação e mantivemos contacto até hoje. Sempre foi desejo de ambas as partes, trabalharmos juntos e finalmente esta oportunidade chegou”, disse.

Com encenação e dramaturgia a cargo de Miguel Jesus, o elenco da peça “Antes do Mar” inclui 11 actores, dentre os quais, também, a angolana Laurinda Chiungue. “É uma actriz que conheci cá e por quem tenho muito respeito e admiração. Ela tem vários trabalhos maravilhosos feitos cá em Portugal, mas também já actuou em Angola uma vez, na Trienal de Luanda”, referiu.

Na peça, que estreia hoje, Nylon assume a personagem Erend, um rapaz que tem alguns dons especiais de ver o futuro, mas ao mesmo tempo vive momentos confusos, porque uma hora é criança e na seguinte ganha um certo poder e fala como adulto. “É uma personagem que está sempre a fazer perguntas e ama contar e ouvir histórias. Ele canta e dança. É um verdadeiro bailarino”, explicou.

A viver temporariamente em Portugal, por razões académicas, Nylon garante não ter nenhum vínculo efectivo com algum grupo de teatro em Portugal, sendo apenas convidado a participar em peças e ensaios.

Mestrado

O actor angolano, que está em terras lusas desde Novembro do ano passado, está a frequentar o mestrado em teatro, na especialidade de Artes Performativas, na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa.

O mestrado resulta de uma bolsa atribuída pelo Instituto Camões, no âmbito do projecto Procultura, financiado pela União Europeia, e por isso o actor não sabe, ao certo, quanto tempo fica em Portugal, embora a formação tenha duração de dois anos.

“Só depende muito da formação que estou a fazer. Estou optimista com tudo que tenho recebido e desenvolvido ao longo da formação. Tenho conhecido pessoas maravilhosas, que têm me ajudado a crescer como pessoa e artista. Não há razões de queixas”, observou.

Além da formação, Nylon pretende consolidar parcerias com as companhias de teatro, com as quais já partilhou trabalhos ou parcerias. “A ideia é fortalecer o intercâmbio e abrir caminhos para que, num futuro próximo, possamos ter cá actores angolanos e vice-versa. Por isso, tenho procurado obter o máximo de conhecimentos para partilhar”, perspectivou.

Trajecto

“Filho” do Cazenga, Nelson Gonçalves “Nylon” é formador, actor, encenador e performancista. Possui formação superior em teatro, pelo Instituto Superior de Artes de Luanda (ISART), na especialidade de Actuação.

Com uma vida dedicada ao teatro, considera o Centro de Animação Artística do Cazenga (Animar´t) a “eterna” escola, onde deu passos, “sob o olhar” de Orlando Domingos, como actor e encenador da Companhia Tic-Tac, durante anos, ao ponto de ter sido director artístico e produtor do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca).

Durante anos, teve a oportunidade de trocar experiências com várias companhias, como as portuguesas O Bando, Toni e Tut, a francesa Arco-Íris. Participou em seminário para directores e professor de teatro, oficinas de expressão e de actuação com professores de França.

Ao longo da carreira frequentou, também, um estágio na Escola Superior de Tecnologias de Artes de Lisboa (ESTAL), em 2014, assim como foi um dos formadores convidados da Academia Internacional de Teatro para Infância, realizada em Portugal.

Fonte:JA/LA

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