Angola pede Portugal a manter apoio à luta contra a corrupção

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O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, pediu, ontem, em Lisboa, que Portugal continue a apoiar Angola na luta contra a corrupção e à impunidade.

Manuel Augusto foi recebido pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem entregou uma missiva do Chefe de Estado angolano, João Lourenço.
Em declarações à imprensa, depois de participar no Seminário Diplomático, evento dirigido aos principais agentes da diplomacia portuguesa, que decorre em Lisboa e no qual esteve na condição de orador convidado, Manuel Augusto sublinhou que esse combate contra a corrupção e a impunidade “vai beneficiar Angola, em primeira instância, mas também vai beneficiar todos os seus parceiros, nomeadamente Portugal”.
“Sendo Angola um parceiro que pode ser importante, é de interesse da comunidade angolana que seja um parceiro também transparente, onde o ambiente de negócios corresponda aos padrões internacionais. Por isso, esta fase de luta contra a corrupção é absolutamente necessária. Não temos outra opção. É isso que estamos determinados a fazer e mais fácil será se continuarmos a contar com o apoio de países amigos, como Portugal”, salientou.

Arresto de bens

O ministro das Relações Exteriores garantiu que o arresto de bens da empresária angolana Isabel dos Santos “não é um acto isolado” e sublinhou que o repatriamento de bens “mal adquiridos” vai continuar em Angola e que Portugal, tal como a maioria dos países da comunidade internacional, está “muito solidário” com as reformas que estão a ser feitas.
Manuel Augusto referiu que o arresto de bens de Isabel dos Santos e do marido foi o resultado de uma providência cautelar intentada pelo Governo, através do Ministério Público.
“Trata-se de uma acção específica no que diz respeito ao património abrangido. Naturalmente que acreditamos que este é o início de um processo que poderá ter continuidade, não só no que diz respeito à engenheira Isabel dos Santos”.
“Não é um acto isolado, nem dirigido a ninguém em particular, mas a todos aqueles que não aderiram à possibilidade que o Estado deu quando estabeleceu a primeira Lei do Repatriamento Voluntário. Isso vai-se aplicar a todos aqueles que, não tendo aderido, agora vão fazê-lo de forma coerciva. O Governo só parará quando entender estar alcançado aquilo que estabeleceu como meta ”, garantiu.
Manuel Augusto afirmou que Portugal, “tal como a maioria dos países da comunidade internacional, está muito solidário com o que se passa em Angola”, em relação às “reformas e combates que o Executivo angolano elegeu como fundamentais para o futuro do país” e acrescentou: “Portugal, sendo um país com relações especiais, tem também, por inerência, responsabilidades e obrigações especiais, que felizmente para nós têm sido assumidas de forma pragmática e aberta”.

País defende cooperação séria e “não paternalista”

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, defendeu ontem, em Lisboa, que “Angola precisa de co-operação séria, amiga, não paternalista, dinâmica”, em que todos saiam a ganhar.
“Desde o início, o Governo de João Lourenço não se tem poupado a esforços para passar esta mensagem ao mundo, há uma nova Angola para explorar e colaborar, na base do respeito mútuo”, salientou.
Falando na sessão de abertura do Seminário Diplomático, que encerra hoje, no Museu do Oriente, em Lisboa, Manuel Augusto assegurou que Angola “tem portas abertas para Portugal e está desejosa de elevar e melhorar o nível da cooperação, porque é possível e porque Portugal, para além da capacidade própria, pode colocar ao serviço de Angola as suas múltiplas ligações no contexto internacional”. “Contamos convosco e queremos que contem connosco”, sublinhou o ministro das Relações Exteriores.
Manuel Augusto defendeu, ainda, que África tem de deixar “de ser um corpo inerte sobre o qual os abutres dão bicadas”, sustentando que este “continente de oportunidades” tem de ser visto como um parceiro.
O ministro das Relações Exteriores advogou, também, a necessidade de potenciar a relação bilateral com Portugal, defendendo mais diálogo entre os dois governos e encontros mais regulares e frequentes.
“Angola e Portugal estão em posições em que podem fazer a diferença nos problemas globais, mas para nos debruçarmos sobre essas questões, em conjunto, temos de potenciar a relação bilateral, com mais diálogo político entre os governos, tornando os encontros mais frequentes e regulares”, sublinhou o ministro.

Fonte: JA/BA

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