Angola despende mais de USD 200 milhões em roupa

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Angola despendeu, no último ano, 170 milhões de dólares em roupa nova importada e USD 65 milhões em usada (fardo), recursos que poderiam ser poupados, se as indústrias têxteis do país estivessem a funcionar em pleno.

Segundo o secretário de Estado da Indústria, Ivan do Prado, que prestava hoje informações ao Presidente da República, João Lourenço, durante a visita à fábrica Nova Textang II, com a reabilitação das três principais fábricas do país (Satec, Alassola e Textang II), as empresas privadas têxteis têm condições para produzir 20 milhões de peças de roupa/ano.

A Nova Textang II tem uma capacidade de produção mensal de 250 mil metros lineares de tecido, resultado de um investimento de 251 milhões de dólares, usados na reabilitação das suas infra-estruturas e maquinaria.

Com a recuperação dessa unidade fabril no período de 2009 a 2013, cerca de 300 postos de trabalho directo foram criados, segundo o secretário de Estado.

Etapas marcantes da reabilitação da Nova Textang II

A reabilitação da Nova Textang II fez parte do pacote de recuperação das três principais unidades têxteis do país, iniciativa que contou com um financiamento japonês na ordem de 1,2 mil milhões de dólares.

Em 2009, sob proposta do Ministério da Indústria, foi aprovado um Programa Executivo do Sector da Indústria para o período 2009-2012, que inseriu os Projectos de Reabilitação da África Têxtil, ex-Satec e Nova Textang II.

No âmbito do referido programa, a Nova Textang II, localizada no município do Cazenga, beneficiou de um investimento de USD 235 milhões, que serviu para a reabilitação das infra-estruturas, contratação de pessoal e compra de equipamentos fornecidos pela empresa japonesa Marubeni.

Depois da sua reabilitação e modernização, a Nova Textang II e as outras duas passaram, em Setembro de 2013, para a esfera privada, um processo marcado por irregularidades.

Desde a entrega das três fábricas às sociedades privadas, a África Têxtil produziu menos de 10 por cento da sua capacidade, a Nova Textang II menos de cinco por cento e a ex-Satec 0 por cento, de acordo com dados avançados pelo IGAPE.

Em Março de 2017, o Governo, após análise da situação das fábricas têxteis, decidiu-se a retirar a sua posse às empresas privadas que as detinham.

Posteriormente, o Governo optou pela privatização gradual das unidades, sujeitando os privados a requisitos prévios que as citadas sociedades não cumpriram.

Foi neste contexto que os Ministérios das Finanças e da Indústria propuseram ao Titular do Poder Executivo a revogação dos Despachos Presidenciais números 108 a 110, de 2018, retirando a posse das três fábricas têxteis às sociedades privadas.

Em Junho, a Procuradoria-Geral da República procedeu ao arresto dessas unidades, face a irregularidades no processo de privatização e a incumprimentos, pelos novos proprietários, das cláusulas contratuais, nomeadamente no capítulo financeiro.

Na altura, a directora do Serviço de Recuperação de Activos da PGR, Eduarda Rodrigues, disse que o processo desencadeado fazia todo o sentido, já que o Estado era o único a arcar com os custos.

“Eles beneficiaram de uma linha de crédito, com uma garantia soberana e nunca pagaram essa dívida, quem pagava mensalmente à banca internacional era o Estado angolano”, sublinhou, referindo que há mais de um ano que o tema era discutido, mas sem solução.

Em Agosto, o Estado angolano concluiu o processo de recuperação das três fábricas têxteis construídas com fundos públicos e arrestadas em Junho último.

Fonte: ANGOP/BA

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