África Subsahariana caminha para primeira recessão em 25 anos

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“A pandemia de Covid-19 está a testar os limites das sociedades e das economias em todo o mundo e é provável que os países africanos sejam especialmente atingidos”, disse o vice-presidente do Banco Mundial para África, Hafez Ghanem.  Segundo admitiu, o BM está a “mobilizar todos os recursos possíveis, para ajudar os países a satisfazer necessidades imediatas de saúde e sobrevivência das pessoas, ao mesmo tempo que salvaguardamos os meios de subsistência e empregos a longo prazo, incluindo o pedido de uma moratória nos pagamentos oficiais do serviço da dívida bilateral, que libertaria fundos para o fortalecimento dos sistemas de saúde, para lidar com a Covid-19 e salvar vidas, redes de segurança social para salvar os meios de subsistência e ajudar os trabalhadores que perdem os seus empregos, apoio às pequenas e médias empresas e segurança alimentar”.

Os autores do relatório recomendam que os responsáveis políticos africanos se concentrem em salvar vidas e proteger os meios de subsistência, focalizando-se no fortalecimento dos sistemas de saúde e na tomada de medidas rápidas, para minimizar as rupturas nas cadeias de abastecimento alimentar. Também, recomendam a implementação de programas de protecção social, incluindo transferências de dinheiro, distribuição de alimentos e isenção de taxas, para apoiar os cidadãos, especialmente aqueles que trabalham no sector informal.
A análise mostra que a Covid-19 vai custar à região, este ano, entre 37 mil milhões e 79 mil milhões de dólares em perdas de produção, devido a uma combinação de factores, que incluem o comércio e a ruptura da cadeia de valor, que tem impacto nos exportadores e nos países com forte participação na cadeia de valor, redução dos fluxos de financiamento externo provenientes de remessas, turismo, investimento directo estrangeiro, ajuda externa, combinado com a fuga de capitais e através dos impactos directos nos sistemas de saúde e perturbações causadas por medidas de contenção e resposta pública.
Embora a maioria dos países da região tenha sido afectada em diferentes graus pela pandemia, prevê-se que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) caia drasticamente, particularmente nas três maiores economias da região (Nigéria, Angola e África do Sul), como resultado de um crescimento e investimento persistentemente fraco. No geral, os países exportadores de petróleo serão duramente atingidos. 
A crise provocada pelo novo coronavírus tem, também, o potencial de desencadear uma crise de segurança alimentar em África, com a produção agrícola a contrair-se potencialmente entre 2,6 por cento, num cenário optimista, até 7,00 por cento, se existirem bloqueios comerciais.
As importações de alimentos diminuiriam substancialmente até 25 por cento, ou tão pouco quanto 13 por cento, devido a uma combinação de custos de transacção mais elevados e redução da procura interna.

Reacção à Covid-19

Vários países africanos reagiram rápida e decisivamente, para atrasar a potencial entrada e propagação do coronavírus, em total concordância com as directrizes internacionais. No entanto, o relatório aponta vários factores que colocam desafios às medidas de contenção e mitigação, em particular os grandes e densamente povoados bairros urbanos in-formais, o limitado acesso à água potável e instalações sa-nitárias, bem como os frágeis sistemas de saúde. 
Em última análise, a magnitude do impacto dependerá da reacção do público dentro dos respectivos países, da propagação da doença e da resposta política. Esses factores, juntos, podem levar à redução da participação no mercado de trabalho, subutilização de capital, menor acumulação de capital hu-mano e efeitos na produtividade a longo prazo.
“Além das medidas de contenção, vimos que, ao reagirem à Covid-19, os países estão a optar por uma combinação de acções urgentes de política fiscal e monetária, com muitos bancos centrais da região a tomarem acções importantes, como reduzir as taxas de juros e fornecer assistência extraordinária à liquidez”, notou o economista e chefe para África do Banco Mundial, Albert Zeufack.
No entanto, admitiu, “é importante garantir que a política fiscal construa um espaço para intervenções de protecção social, especialmente direccionadas aos trabalhadores do sector informal, e lance a se-mente para a futura resiliência das nossas economias”.

Jornal de Angola

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