A Sonangol considerou “falsas e sem fundamento” informações difundidas, principalmente nas redes sociais a darem como certo que uma reestruturação em curso na companhia vai culminar com despedimentos por “pressão” de “uma entidade internacional”.

A companhia declara num comunicado emitido ontem que o Programa de Regeneração em curso prevê apenas uma eventual movimentação ou realocação de quadros em posições mais consentâneas com as suas competências de acordo com a nova orgânica, o que não significa um processo de redução da força de trabalho.
O programa admite, entretanto, que, “de forma natural e voluntária”, ocorra a saída de trabalhadores por meio de reforma antecipada e por outras modalidades que consubstanciam sempre o mútuo acordo.
A Sonangol nota que encontros com trabalhadores “dos quais podem ter sido extraídos elementos deturpados que alimentam a especulação”, enquadram-se num processo de regularização contratual de trabalhadores terciarizados e afectos a unidades de negócio da Sonangol em regime de Cedência Temporária de Trabalhadores, à luz do Decreto Presidencial 31/17, de 22 de Fevereiro.
A Sonangol reafirma que o Programa de Reestruturação tem como único objectivo tornar a companhia “mais robusta, competitiva, focada no negócio ‘core’ e no seu activo mais importante e valioso, isto é, o capital humano”.

Participação da Oi
Ontem, o director de Comunicação e Imagem da Sonangol, Dionísio Rocha Júnior, foi citado pela imprensa portuguesa a confirmar a disponibilidade da Sonangol adquirir a participação de 25 por cento da operadora brasileira Oi na Unitel, dias depois de anunciada pelo presidente do Conselho de Administração da companhia, Sebastião Gaspar Martins.
“Estamos a equacionar a hipótese de ficar com a participação da PT Ventures (empresa controlada pela Oi), mas tudo depende da decisão do Tribunal de Paris”, afirmou, indicando que o valor estimado da aquisição “deverá ser o do mercado”.
O Tribunal de Comércio de Paris condenou, no início de Fevereiro do ano passado, os accionistas angolanos da Unitel a pagarem à Oi mais de 600 milhões de euros por violações do acordo accionista e deu como provado que foram realizadas “transacções em benefício próprio”.
A Unitel conta como accionistas as empresas Oi (PT Ventures), a MSTelecom (Sonangol), a Vidatel (Isabel dos Santos) e a Geni (do general Leopoldino “Dino” do Nascimento), todas com participações de 25 por cento.

Contratação de crédito
Questionado sobre como seria financiada a operação de aquisição, Dionísio Rocha Júnior disse apenas que a “Sonangol está a financiar-se na banca internacional”, sem dar mais esclarecimentos.
Numa entrevista concedida a este jornal, em meados de Dezembro, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol revelou que a companhia volta aos mercados, este ano, para obter um financiamento de 1,5 mil milhões de dólares de um sindicato de bancos liderado pelo Standard Chartered.
Sebastião Gaspar Martins afirmou que a maturidade do empréstimo é de cinco anos, mas que, naquela altura, o empréstimo ainda estava em negociação, o que incluía a determinação dos juros.
A Sonangol vai privatizar 54 empresas no quadro da Reestruturação com a qual a companhia passa para as mãos do capital privado activos não nucleares, mantendo-se, entranto, nas actividades “core”: a exploração, produção, distribuição e logística de petróleo. A?decisão inclui a alienação parcial do capital da “holding” da petrolífera angolana, a Sonangol EP, depois de Junho do próximo ano, no fim do Programa de Regeneração.

Fonte: JA/BA

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