Vale a pena tomar a vacina contra a dengue?

0

 

 

A Dengvaxia tem uma eficácia global de 65,6% contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, índice menor que o de outras vacinas adotadas na rede pública de saúde, como a da febre amarela, que protege em 90% dos casos.

“Como se trata de uma epidemia muito importante, que não existia vacinas até o momento, a Anvisa decidiu por aprovar, mesmo sendo a eficácia abaixo de 80%”, afirmou o diretor da Anvisa, Ivo Bucaresky.

Mas, dependendo do sorotipo da dengue, a eficácia da vacina cai, atingindo 47,1% nos casos de infecção pelo sorotipo 2, por exemplo. O número é baixo, por isso, será que vale a pena você investir cerca de R$ 400 em três doses que devem ser tomadas em um intervalo de seis meses? Ou, ainda mais, será que as porcentagens justificariam a oferta por parte do Ministério da Saúde para a população e até uma possível inclusão da vacina no calendário de vacinação?

Para Celso Granato, infectologista do departamento de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), vale a pena tomar a vacina, já que ela se mostrou 80,8% eficiente nos casos de dengue considerados mais severos, que levam à hospitalização.

Até a primeira semana de dezembro, foram confirmados 1.529 casos de dengue grave e 19.738 casos de dengue com sinais de alarme, um total de 839 pessoas morreram por causa da dengue, o que representa um aumento de 80,4% em comparação com o mesmo período de 2014. “Morreram perto de mil pessoas de dengue no Brasil e ainda não há outra alternativa nem de vacina nem para matar o mosquito, já que as ações de controle da população de Aedes aegypti tem se mostrado sem sucesso”, afirma Granato.

Segundo ele, a Dengvaxia está “longe de ser a vacina dos nossos sonhos”, mas se ela é capaz de diminuir a letalidade da doença deve sim ser administrada. “Além disso, ela demonstra eficácia maior em pessoas que já tiveram contato com o vírus, tenham elas manifestado ou não os sintomas da doença, e boa parte da população já teve dengue alguma vez”, afirma. Quem pega dengue pela segunda vez tem até dez vezes mais chance de desenvolver uma forma mais grave, segundo o infectologista.

João Bosco Siqueira, epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFGO (Universidade Federal de Goiás), ressalta que a vacina é primeira opção de proteção individual em décadas.

Alguém que tem risco de adoecer por dengue e tem possibilidade de fazer a vacina vai ter uma escolha que ela não tinha antes. Quando tomo a vacina, diminuo meu risco de doença grave.”

João Bosco Siqueira, epidemiologista

O custo justifica o benefício?

A vacina não atende pessoas abaixo de 9 anos e acima de 45 anos, deixando de fora a população idosa, considerada mais vulnerável às formas graves da dengue. Por isso, segundo a coordenadora do Comitê de Virologia Clínica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Nancy Bellei, é preciso avaliar sua aplicação caso a caso.

“Não há como recomendar a vacinação. As taxas de hospitalização nas idades não

 

TPA com REUTERS/SM

Share.

Deixar uma opinião

%d bloggers like this: