Urbano de Castro e Óscar Neves em cartaz no Muzongue da Tradição

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Os músicos Urbano de Castro e Óscar Neves serão recordados neste domingo, 29, durante a edição de Abril do programa Muzongue da Tradição, numa iniciativa do Centro Cultural e Recreativo Kilamba.

 

De acordo com o responsável do espaço, Estêvão Costa, pretende-se proporcionar ao público, com particular realce para os fãs da música popular urbana angolana uma viagem ao rico passado musical angolano.

Estêvão Costa frisa que está a ser preparado um guião que vá de encontro aos gostos musicais do público que frequenta o espaço, numa clara intenção de procurar agradar os fiéis amantes da música popular urbana angolana.

Para dar voz aos homenageados do mês, a casa vai contar com os préstimos de Eddy Tussa e Legalise, que terão a dura missão de interpretar, entre outros temas, “Ngande Nzoji”, “Avenida Brasil”, “Joaquim Mbolombolo”, “Plena Careca”, “Nzambi iami”, “KambiIa”, “Sessá”, “Ji Ioxa”, “Esperança”, “Mundanda”, “Mabelé”, “Sessa” e “Banda”, produções de Óscar Neves, e  “Rumba Negra”, “Rosa Maria”, “Mulata”,”Mukongo”, “Semba Avo”,  “Merengue Joaquina”, “Rumba Jilojo”(Gajajeira), de Urbano de Castro.

A jornada, cuja base instrumental será suportada pela banda Movimento, contará ainda com as participações de Calabeto, Dina Santos e Lulas da Paixão.

Óscar Neves

Sobrinho do nacionalista Voto Neves, figura emblemática do Grupo Teatral Ngongo, Óscar de Oliveira Neves nasceu no dia 4 de Maio de 1950, na zona do comerciante Diamantino, no bairro Rangel. O interesse pela música começou, com apenas 14 anos, altura em que se interessa pela sonoridade da “caixa”, uma espécie de batuque portátil, instrumento executado por Carlitos Vieira Dias, quando integrava o agrupamento Os Gingas. Este facto motivou-o a enveredar, primeiro, para o exercício da percussão e depois para a prática do canto.

Curiosamente, Óscar Neves começou a tocar caixa, em 1964, no conjunto Dimbangola, com Boano da Silva (vocal), Maneco Neves (percussão) e Dominguinhos (guitarra solo e vocal). Na sequência, Óscar Neves ajuda afundar, em 1967, o conjunto Mira-Negros, onde dá os primeiros passos como vocalista e intérprete.

Discografia

Óscar Neves grava, em 1972, o seu primeiro single de duas faixas musicais: “Ngande Nzoji” e “Avenida Brasil”, seguindo-se, ainda no mesmo ano, “Joaquim Mbolombolo” e “Plena Careca”, com o agrupamento Os Kiezos. Em 1973 grava as canções “Kalanga” e “Esperança”, com os Jovens do Prenda.

Ainda em 1973 regista os temas: “Lamento de Visconde” e “Matulão cara de cão” (letra de Xabanú) com o agrupamento África Show. Seguiram-se as canções “Nzambi iami”, “KambiIa”, “Sessá”, “Ji Ioxa”, “Esperança”, “Mundanda”, “Mabelé”, “Sessa” e “Banda”, com os Jovens do Prenda, obras  que, embora registadas em disco, não chegaram a ser comercializadas.

Os principais momentos musicais da carreira de Óscar Neves estão reunidos num CD da “Colecção Poeira do Quintal”, editado por ocasião da sua homenagem, e reúne uma colectânea de 16 canções, criteriosamente seleccionadas: “Kalanga”, “Esperança”, “Ngande nzogi”, “Avenida Brasil, “Joaquim Mbolo Mbolo”, “Plena careca”, “Matulão cara de cão”, “Saudades do Visconde”, “Meia-noite”, “Bolero Lamento de Angola”, “Sessa”, “Mudança”, “Mabelé”, “Nzambi iami”, “Arrependimento” e “Tia Sessá”.

O cantor morreu, vítima de doença, no dia 26 de Setembro de 2003, aos 53 anos de idade.

Urbano de Castro

Considerado como um dos expoentes máximos da música angolana dos anos 70, Urbano de Castro começou a sua carreira ao lado de nomes como Dikembé, Fakir e Silva fazendo espectáculos de acrobacia.

Sob a influência da música congolesa, Urbano de Castro e Dikembé formaram mais tarde uma dupla, cantando em óbitos, kombas e kutonocas.

Do seu cartão de visita destacam-se os temas Luanda Capital, Lolita (também conhecida pelo público por Gajajeira), Rumba Giloloxo, Merengue Rebita (Marlta do Cazenga), Merengue do Urbanito, Mukongo e Adeus Perdoa.

Urbano de Castro gravou mais de 50 músicas, com uma média de 10 temas por ano, tendo gravado e tocado com os melhores grupos da década como são os casos dos Kiezos, Ngoma Jazz, Ngola Ritmos,Jovens do Prenda, África Show, África Ritmo e Águias Reais.

Marítimo da Ilha, Ngola Cine, Salões Bom Fim (Luanda) e Voz de Cabo-Verde (Benguela) foram os palcos em que o artista deixou em muitos espectáculos a performance dos seus temas musicais.

Após o 25 de Abril de 1974, Urbano de Castro na companhia de David Zé, Artur Nunes, Dikembé, Santocas, Gunhas, Gaby Monteiro, Brando, Bidom e outros correlegionários, destacados no Comando Operacional de Luanda, fundam o grupo FAPLA-POVO.

O Musongué da Tradição é um programa que teve início em Fevereiro de 2007 e visa a promoção, divulgação e valorização da música angolana produzida nos anos 60, 70 e 80.

O Muzongue da Tradição é um evento que faz parte da grelha de programas do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, antigo Maria das Escrequenhas, que tem ainda “Farrar ao Antigamente” e “Show à Sexta-Feira”.

Fonte: ANGOP/BA

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