União Africana e Huawei estreitam cooperação no meio da “guerra” que EUA declararam ao gigante chinês das telecomunicações

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A União Africana (UA) e a companhia chinesa de telecomunicações Huawei assinaram um acordo para prolongar por mais três anos a cooperação que faz do gigante chinês das telecomunicações o principal parceiro da organização pan-africana para o fornecimento de equipamento e tecnologia na área da informação e comunicações.Este acordo, na forma de memorando de entendimento, foi assinado na sexta-feira e consolida de forma inequívoca a Huawei como uma empresa de referência para a estratégia digital do continente africano, não tendo, sequer, deixado espaço para concorrência.
E foi divulgado pela companhia chinesa num momento em que a Huawei está sob fogo cerrado da Administração norte-americana que acusa o gigante chinês das telecomunicações de se constituir como uma plataforma tecnológica para espiar e comprometer a segurança nacional dos EUA.

Sob essa acusação, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva que obriga a Huawei a pedir uma autorização especial ao Departamento do Comércio de cada vez que pretenda fazer um negócios nos Estados Unidos, o que, de facto, inviabiliza a sua presença na economia norte-americana, especialmente pela impossibilidade de aceder aos serviços Android da Google ou aos microprocessadores que importa dos EUA para produzir os seus smartphones.

Com este memorando de entendimento, a União Africana e a Huawei prolongam a sua cooperação estratégica para a digitalização do continente africano, reforçando uma presença que é hoje já avassaladora em África, sendo responsável pelas redes digitais da larga maioria dos 54 países do continente.

Muitas das vezes em conjunto com a Telecom ZTE e por arrasto da cooperação económica de Pequim com os Governos africanos suportada pelas volumosas linhas de crédito dirigidas às economias do continente.

Este entendimento foi firmado depois de em 2018 a China ter estado sob forte suspeita de espiar por meios tecnológicos a sede da União Africana em Adis Abeba, Etiópia.

Sobre esse problema, Philippe Wang, vice-presidente da Huawei para o norte de África, disse, citado pelas agências, que este acordo coloca um ponto final nos rumores sobre as saídas de informação estratégica da UA através de aparelhos da companhia chinesa e que a organização pan-africana “confia na Huawei”.

Esse rumores era sobre a alegada transferência continuada de informação de equipamento da Huawei instalado na sede da UA para servidores localizados na China, e foram divulgados por fontes africanas aos media ocidentais, desde logo ao francês Le Monde.

No seguimento deste acordo Huawei-União Africana, Wang reafirmou o empenho “estratégico” da empresa para consolidar a sua posição de parceiro principal para a digitalização do continente.

Em questão está o fornecimento de equipamento e instalação da Huawei para a instalação de infra-estruturas de tecnologias de informação e comunicação (TIC) em todo o continente africano, bem como fornecer segurança cibernética e programas de educação e saúde digitais.

Thomas Kwesi Quartey, da Comissão Africana, citado pelo Financial Times, disse que a UA não podia estar mais satisfeita com a cooperação com a Huawei e q ue “é essencial trabalhar de forma próxima com os melhores parceiros para alcançar a transformação digital de África”.

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