Ser magro não é o mesmo que ter felicidade

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Saúde emocional

Ser uma pessoa gorda em nossa sociedade chega a ser por vezes um grande teste de saúde emocional. Isso porque ser gordo está associado a uma pessoa feia, preguiçosa, desleixada, que não se preocupa com sua saúde, alguém compulsivo, isto é, sinônimo de uma pessoa errada. Quem assiste à novela “Deus Salve o Rei” pode perceber que a personagem Glória é constantemente julgada pelos outros personagens devido à sua forma física. Não é de hoje que essa imagem em torno de pessoas gordas acontece, essa questão já se tornou cultural e é repassada/herdada a cada geração, dando falsos direitos a algumas pessoas em julgar, apontar, palpitar e cobrar os gordos por não seguirem o tal padrão ditado pela sociedade. É muito comum pessoas gordas sentirem uma forte angústia e culpa por serem quem são.

Já expliquei outras vezes que apesar de sermos cada um, um Eu, e da necessidade de trabalhar e fortalecer esse Eu, somos todos também, ao mesmo tempo e antes de tudo, um alguém que é reflexo do meio de onde nasce, cresce e vive. As formações de nossas estruturas emocionais dependem e muito do aprendizado e estímulos que recebemos e essas mensagens podem nos determinar na vida, gerando uma pessoa confiante ou insegura, com amor próprio ou culpada por ser quem é, e inclusive nos ensinando a julgar, cobrar, apontar e ofender outras pessoas.

Não me refiro somente ao meio concreto como família e escola, mas também o meio absorvido por ficção como filmes, festinhas e novelas como é o caso da personagem Glória de “Deus Salve o Rei”.

Angústia existencial

Prestem atenção. Esse mundo atual que vive criticando pessoas gordas é o mesmo que abre portas para anorexias e diversos outros distúrbios de alimentação e autoimagem pois confundem o sofrimento com uma falsa ideia de virtude!

Falamos aqui de uma relevante angústia existencial, que atinge tanto pessoas gordas como pessoas magras. Isso porque o peso que realmente merece atenção e cuidado aqui, não são os quilos da balança, mas o peso de ser quem se é numa sociedade que impõe regras tão rígidas e intensas para existir, apaga brutalmente a chance de pessoas serem pessoas e as transformam em quilos, barrigas, peitos, bundas…

Falar de nossa relação com alimentos e com nossa imagem, é falar muito mais do que dietas, peso e estética. É falar de nossas estruturas emocionais afetivas. Todos aprendemos a nos relacionar com mundo desde nosso nascer e nossa relação com os olhares recebidos, palavras ouvidas, peito/leite/alimento ofertado determinam e muito nosso futuro existencial e é por isso que dieta alguma, assim como a maior e mais “bela “transformação estética darão conta da angústia que é não poder existir e ser você mesmo.

 

TPA com MINHAVIDA/SM

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Sobre o autor

Sandra Mainsel

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