Retrospectiva: Aviação Civil com novos aviões

0

O sector da Aviação Civil em Angola viveu em 2020, ano atípico por causa da pandemia da Covid-19, uma inércia nunca antes registada na sua história, com o bloqueio do espaço aéreo nacional e a suspensão dos voos comerciais.

Passa a ser o mais novo inclino da Aviação Civil angolana, que, por via da recém-criada Autoridade Reguladora da actividade aeronáutica, vê crescer o número de companhias internacionais interessadas em operar em solo pátrio, que, não fosse a Covid-19, este ano veria concluído o Novo Aeroporto Internacional de Luanda (NAIL). 

Para o presidente da Comissão Executiva (PCE) da Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA), Nataniel Domingos, a entrada desta companhia no país reveste-se de grande importância porque permitirá recuperar 85% das receitas da empresa, que comemorou (a 1 de Julho) o seu primeiro aniversário, juntamente com a Empresa Nacional de Navegação Aérea (ENNA).

Um ano de existência celebra também, neste 2020, a Autoridade Nacional da Aviação Civil, que substituiu o Instituto Nacional da Aviação Civil (INAVIC), extinto por força da aprovação, pela Assembleia Nacional, da Lei nº 14/19 de 23 de Maio, para ajudar fundamentalmente a modernizar o sector e a melhorar a prevenção de riscos na actividade aeronáutica.

Por força deste mesmo diploma, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos foi transformado em Autoridade Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (ANIPAA), como clara prova de que o país pretende se adequar aos novos padrões da “aerodinâmica” e às reformas do sector em todo o mundo.

O objectivo de fundo é aliar Angola às Normas Internacionais, particularmente às da União Europeia, tendo em vista que o Estado angolano deve honrar os compromissos decorrentes dos acordos internacionais sobre aviação civil a que está vinculado, enquanto membro da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO, sigla em inglês), desde 1977.

Assim, os novos órgãos reguladores do Sistema da Aviação Civil, nomeadamente a referida Autoridade e o Gabinete de Prevenção de Acidentes Aéreos, já actuam em conformidade com as exigências do “Doc. 7300”, deste organismo mundial, que controla a Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA), na qual a TAAG representa Angola.

De recordar que a TAAG deixou de voar, a 26 deste mês, para as cidades de Joanesburgo e do Cabo, devido ao surgimento de uma variante do vírus SARSC-CoV-2, que representa aumento da transmissibilidade da Covid-19.

A decisão dá cumprimento à determinação contida no despacho conjunto dos Ministérios da Saúde, Interior, das Relações Exteriores e dos Transportes da República de Angola sobre a suspensão das ligações áereas, terrestres e marítimas.

Esta restrição é aplicada, de momento, sobretudos e especificamente a passageiros provenientes da África do Sul, Austrália, Nigéria e do Reino Unido, desde as 00h00 do dia 26 de Dezembro de 2020.

A suspensão dos voos domésticos e internacionais, desde Março último, para prevenir contaminações, causou elevados prejuízos à actividade aeronáutica mundial.

Em Angola, por exemplo, a pandemia forçou ao cancelamento das fronteiras e, consequentemente, a paralisação dos serviços aéreos, para entradas e saídas. Com isso, a TAAG (companhia nacional de bandeira) deixou de realizar, em média, 32 voos por dia, dos quais 15 internacionais e 17 domésticos, todos de transporte de passageiros.

Entre Março e Setembro, a operadora confrontou-se com prejuízos de 70 a 80 por cento. Nesse período, a TAAG limitou-se a realizar voos humanitários, de repatriamento ou de resgate e de transporte de mercadorias, no quadro da prevenção e combate à pandemia, surgida em Dezembro de 2019, na cidade chinesa de Wuhan.

Condicionada pelos sucessivos Estados de Emergência e pelas Situações de Calamidade Pública, a companhia transportou, durante sete meses, 80 mil angolanos, de Angola para o estrangeiro, e vice-versa, num ano em que assumiu a Direcção da African Airlines Association (AFRAA), durante a 52ª conferência anual dessa entidade.

No seu envolvimento em voos humanitários, a TAAG transportou igualmente oito mil toneladas de material de biossegurança proveniente de vários países, com destaque para a China. Nesta fase, o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, mesmo desactivado, assumiu-se como baluarte dessa operação, que acontecia de forma esporádica.

Não obstante a “vigência” da pandemia, essa principal “Porta Migratória” de Angola recebeu e baptizou, a 29 de Junho, com o nome de Kwanza – A, a primeira de seis aeronaves do tipo Dash 8-400 adquiridas à fabricante canadiana De Havilland of Canada Limited, no âmbito da modernização e reestruturação da companhia angolana.

Em Agosto, recebeu o segundo, com as mesmas características, conhecido como Zaire.

Como a mais moderna na sua tipologia, o aparelho é de fácil desdobramento em manobras, com baixos níveis de poluição e de consumo de combustível.

Tem uma autonomia de voo de cerca de seis horas, voando até dois mil e quinhentos metros de altitude, podendo atingir os 700 quilómetros por hora de velocidade. Está a servir essencialmente as rotas domésticas.

Entretanto, desde Setembro, com a reabertura parcial do espaço aéreo e a retoma gradual dos voos internacionais, no dia 21, o sector da Aviação Civil vai-se reerguendo, possibilitando à TAAG voltar a operar para Joanesburgo e Cape Town (África do Sul), Lisboa (Portugal), São Paulo (Brasil) e, mais algum tempo, Windhouk (Namíbia), Maputo (Moçambique) e Havana (Cuba).

No sentido inverso, o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro já está a receber as aeronaves das companhias TAP (Portugal), Emirates (Emirados Árabes Unidos), Lufthansa (Alemanha) e Air France (França).

Num futuro breve, aguarda pelo regresso da Kenya Airways, Royal Air Marroc, a Ibéria (Espanha), KLM (Holanda), dentre outras habitués.

Fruto de alguns acordos assinados, em 2019, entre o Governo Angolano e o do Qatar, no dia 14 deste mês, a companhia asiática Qatar Airways aterrou pela primeira vez em Angola, efectivando assim a ligação aérea, comercial, entre as cidades de Luanda e Doha (capital do Qatar), através do Boeing 787 Dream Liner, de 254 lugares.

 

Share.

Deixar uma opinião

%d bloggers like this: